Há cada vez mais "analfabetos" energéticos no país. 70% não sabe ler conta da luz
O número de portugueses que não sabe ler a sua própria fatura de eletricidade está a aumentar, em vez de diminuir, mostra um estudo levado a cabo pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), através da consultora Qmetrics, junto dos consumidores domésticos para identificar a evolução do seu grau de literacia energética.
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Neste momento, apenas 36,1% das pessoas diz compreender a sua conta da luz e revela algum conhecimento em relação às diferentes rubricas ou itens presentes nas faturas enviadas mensalmente pelos comercializadores, o que, segundo o regulador, "aponta para um agravamento deste indicador, que em 2020 se situava nos 42,2%". Ou seja, cerca de 70% dos portugueses não consegue descodificar a sua própria fatura energética.
"Na literacia associada à fatura de energia, os resultados revelam um défice significativo. Cerca de dois em cada três consumidores desconhecem a informação apresentada na sua fatura. No estudo efetuado em 2020, esta proporção era ligeiramente inferior: 57,8%, em 2020, face a 63,9%, em 2024", refere a ERSE.
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Entre os consumidores que demonstram ter algum conhecimento, as rubricas das faturas mais identificadas por quem respondeu ao inquérito são as taxas e impostos (17,5%, contra 19,3% em 2020), a contribuição audiovisual (10,8%, face a 14,6% há quatro anos), o preço pago pela potência contratada (9,8%, versus 13,6% em 2020) e o IVA (5,2%, contra 7,7% em 2020).
"Mantém-se assim uma tendência clara de desconhecimento por parte dos consumidores, assistindo-se a uma ligeira deterioração quando comparados os resultados com o estudo efetuado em 2020", assume a ERSE.
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O estudo permitiu determinar que o consumidor doméstico português apresenta neste momento um índice de literacia energética de 45,3 pontos (entre 0 e 100), o que ainda assim revela uma ligeira evolução positiva face ao estudo efetuado, também pela ERSE, em 2020 (42,8 pontos).
Olhando ao pormenor, a literacia energética é mais elevado nos consumidores do género masculino, com idades entre os 36 e
os 55 anos, escolaridade ao nível do ensino superior, despesas médias mensais mais elevadas, e entre os que são responsáveis pela contratação do fornecedor de energia.
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No que diz respeito à existência de dois tipos de mercados em Portugal, cerca de dois terços dos consumidores domésticos conhecem os mercados regulado e liberalizado de energia (65,4%). Entre estes, aproximadamente 85% sabem a diferença entre os dois, em linha com o nível de conhecimento demonstrado em 2020.
Na hora de mudar o contrato de eletricidade e recorrer a um simulador de preços, apenas 23,3% dos consumidores tem conhecimento da existência destas ferramentas online, o que reflete um retrocesso face aos 24,4%, registados em 2020.
Mais de metade dos consumidores (54%, face aos 37,7% de 2020) afirma já ter mudado de comercializador de energia, registando-se um aumento quando comparado com 2020. No entanto, para cerca de 46% dos consumidores essa mudança ocorreu apenas uma vez nos últimos dez anos, enquanto 24% mudaram duas vezes. O preço continua a surgir como o principal motivo para a decisão de mudar de fornecedor (79,7%).
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Questionados sobre que empresas distribuem e vendem energia no país (duas atividades distintintas, já que a distribuição é um negócio regulado pela ERSE), os portugueses "continuam a apresentar dificuldade em distinguir entre distribuidores e comercializadores de eletricidade, sendo esta situação ainda pior no gás natural".
Entre os consumidores capazes de identificar algum distribuidor de eletricidade, apenas 21% respondem corretamente E-Redes. Cerca de 62% indica apenas EDP, não conseguindo concretizar qual o nome do distribuidor. Na comercialização, a EDP Comercial destaca-se como a empresa mais conhecida (71,3%), seguida pela Endesa (49,7%).
Entre os inquiridos, 35,3% disseram ser clientes da EDP na aletricidade, 13,1% da Endesa, 10,1% da Goldenergy, 9,2% da SU Eletricidade (mercado regulado), 7,7% da Galp e 6,1% da Iberdrola. No gás, 30,9% dizem-se clientes da Galp e 20,5% da EDP, 16,6% da Goldenergy, 8,3% da EDP Gás Serviço Universal, 6,9% da Endesa.
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Comparativamente com o estudo efetuado em 2020, observa-se um aumento no reconhecimento da Iberdrola e da Goldenergy entre os consumidores.
No setor do gás natural, mais de metade dos consumidores são incapazes de identificar qualquer distribuidor de gás natural, e cerca de um terço não identifica nenhum comercializador. A Galp destaca-se como a marca mais referida.
No que diz respeito ao autoconsumo, cerca de 87% dos inquiridos têm conhecimento sobre a possibilidade de produzirem a própria energia que consomem. No entamto, esta percentagem era superior em 2020: qiase 89%.
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Os consumidores sabem que a eletricidade que chega a suas casas é predominantemente de origem renovável: a maioria aponta sobretudo a energia eólica (85,6%), seguida das barragens (76,5%) e da energia solar (71,2%).
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