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Águas de Portugal financiam metade do investimento até 2020

O Banco de Investimento Europeu vai emprestar 420 milhões de euros ao grupo português para desenvolver e reabilitar a sua rede de abastecimento e tratamento de águas. A primeira já está assinada. A segunda chegará através de acordos com autarquias.

Miguel Baltazar/Negócios
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 12 de Setembro de 2017 às 15:05
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O grupo Águas de Portugal (AdP) vai financiar metade do seu plano de investimento até 2020 com um empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI), assinado esta terça-feira, 12 de Setembro.

O empréstimo terá um valor de 420 milhões e será feito ao abrigo do Plano de Investimento para a Europa, mais conhecido como Plano Juncker. Segundo o presidente da AdP, João Nuno Mendes, servirá para "financiar os investimentos fundamentais" do grupo, num plano orçado em 880 milhões de euros.


A primeira tranche do financiamento é de 220 milhões de euros. Os restantes 200 milhões de euros não chegarão directamente ao grupo AdP, mas antes através de um instrumento de financiamento para municípios.


Para João Nuno Mendes, esta segunda tranche poderá contribuir para resolver o "problema histórico das dívidas dos municípios" às empresas abastecedoras de água. Na prática, o BEI irá adquirir as dívidas das empresas municipais ao grupo ADP, num processo que terá de ser negociado "caso a caso" e que se espera lançado durante o próximo ano, explicou.


"É indesculpável que em cada município não seja cristalino e transparente os custos com o sector da água e não sejam cristalinas e transparentes as receitas que estão associadas a esses mesmos custos e que têm de ser compensadas", considerou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, durante a cerimónia de assinatura do contrato.


Enquanto o BEI assegura 48% do plano de investimento de 880 milhões de euros da Águas de Portugal, a empresa cobre 39% desse total. Os restantes 13% são oriundos de fundos comunitários. Um dos objectivos passa por tornar a rede mais forte para fazer face a situações de seca, com impacto esperado no abastecimento de oito milhões de consumidores.

A expectativa é de que sejam criados 7.400 postos de trabalho durante a implementação dos projectos, cujo foco está no reforço e reabilitação das redes de abastecimento existentes assim como no aumento do volume de águas residuais tratadas. Há também previsto um investimento em telegestão na ordem dos 20 milhões de euros.


Na lista dos projectos abrangidos por este plano de investimento, já em curso, estão as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Faro-Olhão ou de Companheira em Portimão bem como as Estações de Tratamento de Águas (ETA) de Vale da Pedra no Cartaxo e de Magra em Beja.


O financiamento actual do BEI à AdP situa-se nos 1.450 milhões de euros. O contrato hoje assinado, com um prazo de 25 anos, é o primeiro financiamento atribuído pelo BEI à empresa de águas sem o aval do Estado português.

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