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ENSE aponta refinação e armazenagem como fatores na descida lenta dos combustíveis

Na sequência das declarações da ministra do Ambiente e Energia, que disse ter pedido à ENSE para analisar a evolução dos preços dos combustíveis, a entidade não concretizou se já existe uma análise específica em curso, limitando-se a referir que acompanha semanalmente os preços.

Preços dos combustíveis dispararam na sequência do conflito no Médio Oriente
Preços dos combustíveis dispararam na sequência do conflito no Médio Oriente DR
02 de Julho de 2026 às 15:42
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A Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) apontou os custos fixos da refinação e a escassez de armazenagem na Europa como fatores para explicar uma redução mais lenta dos preços dos combustíveis face à descida da matéria-prima.

Questionada pela Lusa, na sequência das declarações da ministra do Ambiente e Energia, que disse ter pedido à ENSE para analisar a evolução dos preços dos combustíveis, a entidade não concretizou se já existe uma análise específica em curso, limitando-se a referir que acompanha semanalmente os Preços de Venda ao Público (PVP) e os Preços de Referência (PR) dos combustíveis.

"A ENSE acompanha semanalmente a evolução dos designados Preços de Venda a Público (PVP) e Preços de Referência (PR) dos combustíveis, para apoio nomeadamente ao regulador com competências em preços, a ERSE [Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos]", respondeu a entidade.

Segundo a ENSE, os aspetos avaliados são a evolução dos custos do produto refinado no mercado internacional, incluindo o preço CIF - que agrega custo, seguro e frete - e o transporte primário/frete marítimo, os custos de bioenergia, nomeadamente biocombustíveis, e a evolução fiscal, incluindo o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) e o IVA.

Questionada sobre se existe alguma conclusão preliminar quanto às razões pelas quais os preços não estarão a descer ao mesmo ritmo a que subiram, a ENSE indicou que os preços de custo dos produtos refinados aumentaram entre 25%, no caso do gasóleo, e 35%, no caso da gasolina, desde o início da crise de Ormuz.

A entidade, que tem competências de fiscalização e supervisão no setor energético, incluindo na área dos combustíveis, acrescentou que a carga fiscal permitiu reduzir o impacto daquela evolução, por se ter mantido "praticamente" nos mesmos níveis durante o período em causa.

"A redução de preços na cadeia de valor, com especial destaque na área da refinação é por definição mais lenta que as reduções de preços de matéria-prima (Crude/Brent), pois refletem duas componentes menos voláteis, que são os elevados custos fixos de produção e a escassez de armazenagem na Europa, sustentou a entidade.

Na terça-feira, no parlamento, a ministra do Ambiente e Energia anunciou que o Governo pediu à ENSE para "olhar" para a evolução dos preços dos combustíveis, por considerar que estes não estavam a descer ao mesmo ritmo a que tinham subido.

A evolução dos preços dos combustíveis passou a estar sob maior atenção depois da subida registada na sequência dos ataques dos EUA e Israel ao Irão, em 28 de fevereiro, e dos receios de perturbações no abastecimento internacional de petróleo relacionados com o estreito de Ormuz.

"Nós já pedimos à ENSE para olhar para esta questão", disse Maria da Graça Carvalho, numa audição na Comissão de Ambiente e Energia, requerida pelo PCP, sobre o negócio Galp/Moeve.

Na ocasião, a governante afirmou que a evolução dos preços dos combustíveis não acompanhar a queda da cotação do petróleo "não tem razão de ser" e que o executivo quer perceber "exatamente porque é que isso está a acontecer".

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