Portugal defende poupança de energia e resposta coordenada da UE face à crise no Médio Oriente
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, vai levar à reunião de ministros da Energia uma posição centrada na eficiência energética, reforço das renováveis e estabilidade do mercado, num contexto de pressão sobre preços e risco de perturbações no abastecimento.
Portugal vai defender uma resposta europeia coordenada à atual crise energética, marcada pela escalada geopolítica no Médio Oriente, numa reunião informal dos ministros da Energia da União Europeia que decorre esta terça-feira por videoconferência.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, adiantou que o encontro foi convocado com caráter de urgência e terá como foco principal a articulação de medidas entre Estados-membros para evitar disrupções no mercado interno.
"É muito importante que as medidas sejam coordenadas a nível europeu", afirmou a ministra aos jornalistas, sublinhando que a falta de alinhamento pode criar distorções concorrenciais, nomeadamente ao nível dos apoios às empresas.
Entre os temas em discussão estarão a eventual libertação adicional de reservas estratégicas, o reforço das reservas de gás para preparar o próximo inverno e medidas de eficiência energética.
Portugal deverá defender uma abordagem centrada na poupança de energia e no reforço das renováveis, numa lógica de resposta estrutural à crise.
"Se o preço está caro e há alguma incerteza em termos de abastecimento, o que temos a fazer é poupar energia", disse a ministra, acrescentando que esta deve ser uma prioridade “com ou sem crise”, sem criar alarmismo nem prejudicar a economia.
A governante deverá também destacar o papel dos contratos de longo prazo de compra de eletricidade (PPAs) como instrumento para dar previsibilidade ao mercado e mitigar a volatilidade de preços.
No plano industrial, Portugal pretende colocar na agenda a necessidade de apoio aos setores mais intensivos em energia, como cimento, vidro ou cerâmica, que enfrentam maiores dificuldades de eletrificação.
"Temos de ter atenção aos que mais precisam", afirmou, defendendo medidas que ajudem tanto as famílias mais vulneráveis como as indústrias com maior exposição aos custos energéticos.
Apesar do contexto de crise, Maria da Graça Carvalho sublinhou que devem ser preservados os princípios do mercado energético europeu, incluindo a igualdade de condições entre países e setores.
A reunião deverá ainda permitir aos ministros avaliar os cenários para a evolução da situação energética nas próximas semanas, num momento de elevada incerteza sobre preços e abastecimento.