Propriedade em Berlim por 22 milhões faz disparar encaixe do Estado com venda de imóveis
Estado e institutos públicos arrecadaram 23,38 milhões de euros com a alienação de sete imóveis em 2025, o valor mais elevado em quase uma década, graças sobretudo à venda de uma propriedade em Berlim para onde chegou a ser pensada a embaixada de Portugal na Alemanha.
Segundo o relatório anual da Estamo, em 2025, o Estado Português alienou cinco imóveis por 22,23 milhões de euros, um resultado para o qual "contribuiu decisivamente" a venda de um imóvel em Berlim, enquanto dois institutos públicos desfizeram-se de dois ativos por um montante de 1,15 milhões de euros.
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Essa propriedade, que fica no número 25 da Hiroshimastrasse e no 10 da Hildebrandstrasse, foi avaliada em 18 milhões de euros, mas vendida por 22 milhões, em agosto, à Fundação Friedrich Ebert, por ajuste direto como as demais, à luz dos dados publicados pela imobiliária do Estado.
O lote de terreno que integra o bairro nobre e central de Tiergarten, que acolhe várias missões diplomáticas, foi comprado há 30 anos pelo Estado Português com o objetivo de também ali erguer a sua futura embaixada na Alemanha, o que não chegou a acontecer. E os planos para o vender remontam pelo menos à época da troika.
Em 2013, a Bloomberg avançou que o Governo tinha posto à venda o lote de terreno, com uma área de 2.800 metros quadrados, no âmbito de um plano, anunciado no ano anterior, para angariar 30 milhões de euros com a alienação de imóveis em todo o mundo de modo a reduzir os custos com a sua manutenção.
A venda do imóvel em Berlim catapultou assim o valor arrecadado em 2025: sete alienações de imóveis renderam 23,38 milhões de euros, contra 1,89 milhões em 2024 com a venda de quatro. É preciso recuar até 2016 para encontrar um encaixe superior: 46,88 milhões de euros com a venda de 27 propriedades, segundo os relatórios anuais da empresa que gere os ativos imobiliários públicos não estratégicos.
No relatório sobre a aquisição, oneração e alienação dos bens imóveis do domínio privado do Estado e dos institutos públicos de 2025, a Estamo sinaliza, no entanto, que "mesmo que tal alienação não se tivesse verificado, ainda assim, o valor de transação atingiria um montante claramente superior" ao de 2024, isto se incluídos os imóveis alienados por permuta e excluídas as compensações pela diferença suportadas pelos cofres públicos.
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Em 2025, o Estado Português alienou cinco imóveis por permuta, todos destinados à expansão do Museu Nacional de Arte Antiga. Na primeira, o Estado comprou um imóvel por 3,7 milhões de euros e vendeu um outro por 3 milhões de euros, despendendo 700 mil euros a título de tornas, enquanto na segunda adquiriu um imóvel por 1,31 milhões de euros e transmitiu quatro pelo valor global de 955 mil euros, com a compensação em dinheiro a cifrar-se então em 363.200 euros.
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2025 foi no sentido oposto de 2024, também do lado das aquisições. Ao todo, foram adquiridos cinco imóveis por 3,03 milhões de euros, contra oito em 2024 por 22,9 milhões de euros. E, curiosamente, nesse ano, foi sobretudo a compra de um imóvel em Berlim que "mexeu" com as contas, ao ser comprado pelo Estado por 16,9 milhões de euros. E um imóvel também ligado à tutela dos Negócios Estrangeiros: em causa o n.º 57 da Kurfürstenstraße, onde passou a funcionar, desde 1 de outubro, a embaixada de Portugal na Alemanha. Além disso, nas compras de 2024, entraram ainda 4,8 milhões gastos em cinco terrenos contíguos destinados à expansão do Hospital de Lisboa Oriental.
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