pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Escolha o Jornal de Negócios como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Da Mouraria ao Rossio são 10 minutos de distância

Sem contar com o estigma associado à Mouraria, o bairro fica mesmo ao lado do Rossio. A Câmara e as associações da zona querem tornar o território mais atraente e seguro

29 de Fevereiro de 2012 às 00:01

"As pessoas têm uma ideia formada de que o bairro é perigoso, e têm receio de cá vir por causa disso", reconhece Nuno Franco, vice-presidente da Associação Renovar a Mouraria (ARM), que surgiu em 2008 para tentar dar uma nova vida comunitária à zona. "Para algumas pessoas, viver na Mouraria parece que é viver na Cova da Moura", lamenta. A associação percorre o bairro, identifica situações de carência e tenta encontrar soluções. Faz várias actividades e ainda intervenção social.

Oito milhões para aplicar

No Martim Moniz já se vêem, ao longe, os andaimes que pontificam na Rua da Mouraria. Subindo um pouco mais, pela Rua do Capelão, até já se consegue ver uma rua completamente requalificada. Subindo mais um pouco, vê-se a Casa da Severa, em versão estaleiro. Aqui irá nascer a futura Casa do Fado. Em quase todas as ruas se pisa areia, se ouvem martelos a empurrar ponteiras e máquinas retroescavadoras. Alguns prédios também estão a ser recuperados por privados. Só em 100, 150 metros, percebe-se que as obras estão ao virar de cada esquina.

MURAL NAS ESCADINHAS DE SÃO CRISTÓVÃO
O Movimento de Amigos de São Cristóvão, que faz parte do plano de desenvolvimento da Mouraria, deitou mãos à obra e pintou um mural que retrata o bairro, para gáudio dos turistas que o fotografam.

A Câmara foi buscar 7,5 milhões de euros ao QREN para aplicar em cinco intervenções: na recuperação de quatro edifícios, como a Casa da Severa, que será transformada num bar, e na construção de uma mesquita. A intervenção no espaço público entre o Largo Adelino Amaro da Costa e o Largo do Intendente também está aqui englobada.

Em paralelo, há um plano de de-senvolvimento comunitário que se destina a "combater a pobreza, revitalizar o tecido económico e promover o fado como imagem da Mouraria", explica João Meneses, responsável pelo Gabinete de Apoio ao Bairro de Intervenção Prioritária da Mouraria.

Nuno Franco já nota uma evolução, e a "ajuda" da Câmara de Lisboa, que lançou o Programa de Acção da Mouraria, foi muito importante. "Desde que António Costa veio para cá, para marcar o início da requalificação da Mouraria, que se sente uma alteração no panorama do bairro, as pessoas estão mais confiantes", explica Nuno Franco. É que não havia "intervenção no bairro há dezenas de anos", o que contribuía para o sentimento de desinteresse geral.

Promessas cumpridas?

"As pessoas estão um pouco de pé atrás com esta intervenção; ouvimos promessas durante muito tempo", lamenta José Braz, morador da zona, que está a beber uma cerveja e a ler o jornal numa tasca junto à rua do Marquês de Ponte de Lima – onde se faz o negócio de droga. "A verdade é que agora [as obras] já estão no terreno, por isso temos esperança que seja de uma vez por todas", acrescentou.

Hortense Santos, reformada e militante do PCP, está a assinar uma petição contra a extinção de freguesias. "Estão a fazer aqui coisas boas. Estão a fazer ruas novas, a tratar da Casa da Severa. Era mesmo disto que precisávamos". O problema, diz, é a multietnicidade: "vêm para cá os romenos, metem-se todos numa casa e inflacionam as rendas, põem os senhorios a cobrar aos 200 euros por quarto", critica. A Mouraria é habitada por 52 etnias diferentes, tendo mais relevo as comunidades do Bangladesh, Índia, China e Paquistão, informa Nuno Franco.

Num cabeleireiro mais acima, propriedade de Mitesh Maisuryia, indiano a viver em Portugal há três anos, a intervenção nas ruas traz consigo a perspectiva de mais negócios. "A rua vai ficar mais bonita, vai aumentar a vinda de turistas até aqui, que aproveitam para cortar o cabelo porque aqui é mais barato", conta-nos num português quase perfeito. A opinião que tem do País? A melhor. "Nunca vou deixar Portugal", garante. Quatro bandeiras lusas nas paredes atestam-no.

Ver comentários
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.