Amazon vai tornar-se rede logística todo o terreno e desafia gigantes do setor
A Amazon abriu o leque e está preparada para se tornar uma gigante no setor da logística, ameaçando aquelas que já estão enraizadas no mesmo. A empresa que começou numa garagem anunciou o Amazon Supply Chain Services, abrindo o portefólio completo de serviços, desde a carga, passando pela distribuição e até à entrega, a todas as empresas. No fundo, a Amazon quer estar presente desde o primeiro momento do envio de uma encomenda, mas o setor sentiu-se ameaçado e as ações das concorrentes caíram.
Até ao momento, este serviço total apenas estava disponível para os vendedores da Amazon, mas a empresa decidiu que se quer expandir e ser transversal a todos. Com este lançamento, a Amazon expande a sua capacidade logística terceirizada para dar apoio a empresas em setores como saúde, automóvel, manufatura e retalho, sustenta a empresa em comunicado.
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"A Amazon está a levar a infraestrutura, inteligência e a escala dos seus serviços de cadeia de fornecimento - comprovados ao longo de décadas - para empresas em todo o lado, assim como a Amazon Web Services fez com a computação na 'cloud'", diz Peter Larsen, vice-presidente deste novo serviço, citado em comunicado. O objetivo é, segundo o responsável pela Amazon Supply Chain Services, "dar a qualquer outra empresa acesso à mesma eficiência de custos, confiabilidade e velocidade que construímos para os clientes da Amazon".
E a empresa já tem clientes para este serviço. A Procter & Gamble, dona de marcas como Gillette ou Tide, vai usar a rede da Amazon para transportar matérias-primas até às instalações de produção e posteriormente movimentar os produtos até à rede de distribuição, enquanto a 3M, dona da Post-It, usa o stock centralizado na rede Amazon para diversos canais de venda e a American Eagle, marca de roupa, utiliza a rede de entrega para a distribuição dos seus pedidos online.
A empresa fundada por Jeff Bezos em 1994 admite que a sua diferenciação não está num serviço específico mas "na capacidade, velocidade e confiabilidade incorporada em cada oferta". Ou seja, na rede de transporte, uma vez que abrange carga marítima, aérea, terrestre e ferroviária, na logística e distribuição, permitindo o armazenamento de produtos mais perto dos clientes e o envio de encomendas, com prazos de entrega rápidos e flexíveis.
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Em comunicado, a Amazon afirma que os vendedores que já utilizam as suas soluções registaram um aumento de quase 20% nas vendas, sendo que desde , os vendedores independentes - porque as marcas podem ter lojas online dentro da plataforma - já enviaram mais de 80 mil milhões de unidades através do programa de logística.
O setor dos transportes e de logística dos Estados Unidos não apreciou o anúncio da Amazon de chegar às empresas. A expansão da sua rede de logística a qualquer empresa mudou o chip e mostrou que a Amazon está pronta para atacar, transformando-se numa grande concorrente ao segmento de transporte de carga aérea, impactando também as empresas de transporte de mercadorias e encomendas.
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E o mercado também não gostou dos novos objetivos traçados pela Amazon. A FedEx, a gigante norte-americana de entrega encomendas, está a recuar 9% para 358,23 dólares, registando o seu pior desempenho em mais de um ano. E o mesmo acontece com a UPS: a empresa está a perder 10% para 96,79 dólares. Em pior estado está a Forward Air Corp, cuja quebra nas ações já ascende a 22,64%, negociando nos 16,50 dólares.
Mas esta aproximação de concorrência acrescida não é apenas sentida nos EUA. A DHL perdeu 7,28% para 46,71 euros na bolsa alemã e a ID Logistics recuou 2,22% para 353 euros em Paris, sendo que, na bolsa de Lisboa, os CTT perderam 5,15% para 6,08 euros no fecho da sessão desta segunda-feira.
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