Lucros da Martifer caem para 9,5 milhões com provisão de 8 milhões na Arena da Amazónia
Depois de ter fechado 2024 com lucros de 23 milhões de euros, o seu melhor resultado desde 2009, ano em que obteve 107 milhões, a Martifer acabou o último exercício com uns magros 9,5 milhões de euros.
Um resultado determinado, sobretudo, por um reforço de provisões “one off” (evento não recorrente) no montante aproximado de oito milhões de euros referente a uma sentença arbitral sobre um contrato assinado há 14 anos no Brasil.
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“Na sequência da sentença arbitral proferida já em 2026, cujo teor foi desfavorável ao grupo, foi reconhecida nas demonstrações financeiras consolidadas de 2025 uma provisão no montante aproximado de oito milhões de euros, refletindo a melhor estimativa do conselho de administração relativamente ao potencial impacto financeiro associado à referida decisão”, explica a Martifer em comunicado enviado esta quinta-feira, 19 de março, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A sentença arbitral é relativa a “factos alegadamente ocorridos” no âmbito de um contrato assinado em 2012 referente ao projeto Arena Amazónia, que vinha a ser divulgado pelo grupo como passivo contingente.
“Ação declarativa em tribunal arbitral intentada em 2019 contra a subsidiária Martifer Construções Metalomecânicas,S.A. (MTC) e um terceiro, pelo cliente Andrade Gutierrez Engenharia S.A. (AG) no âmbito da execução do Contrato Particular de Fornecimento e Montagem das Estruturas Metálicas e Membranas de PTFE da Fachada e da Cobertura da ‘Arena da Amazónia’, no montante total de 4,3 milhões de euros a título de regresso e 2,4 milhões de reais [400 mil euros] a título de custos adicionais, em curso no CCBC - Câmara de Comércio Brasil Canadá, em fase de instrução e produção de provas”, lê-se no relatório e contas de 2024 do grupo português.
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No mesmo documento, a administração da empresa, “suportada nos pareceres jurídicos dos seus advogados”, entende que, decorrente do referido processo, “não é possível determinar quais as responsabilidades que poderão advir para a subsidiária MTC”, apesar de, na altura, considerar “reduzidas as possibilidades de uma condenação, até pelo facto de ter já reconvindo no valor de 12,7 milhões de reais [2,1 milhões de euros] a título de custos adicionais e trabalhos a mais”, sublinhava.
O Arena da Amazónia, em Manaus, foi um dos quatro estádios do país erguidos com a participação da Martifer, de um total de 12 que foram construídos ou profundamente modernizados para o Campeonato Mundial de Futebol que se realizou no Brasil em 2014.
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Os outros três foram o Arena Fonte Nova (Salvador da Baía), o Arena Castelão (Fortaleza) e o Estádio do Mineirão (Belo Horizonte).
Sem o efeito desta provisão, os lucros da Martifer em 2025 teriam ascendido a 17,4 milhões, ou seja, mesmo assim, 5,6 milhões abaixo dos obtidos no ano anterior.
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Grande destaque positivo: o volume de negócios em 2025 atingiu 296,4 milhões de euros, “o valor mais alto dos últimos 15 anos”, contra 264,5 milhões no ano anterior, o que traduz um aumento de 12%, com a construção metálica a contribuir com 156,5 milhões de euros, a indústria naval 129,4 milhões e a área de renováveis os restantes 13 milhões de euros.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) baixou de 38,2 milhões de euros em 2024 para 32,2 milhões de euros, com uma margem de 11,4% sobre o volume de negócios, abaixo dos 15% no ano anterior.
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Os mercados internacionais geraram 70% das receitas do grupo Martifer, que fechou 2025 com uma carteira de encomendas na construção metálica e na indústria naval de 662 milhões de euros.
A aposta na redução do endividamento, muito acentuada nos últimos longos anos, travou no último exercício – no final de dezembro, a dívida bruta estava nos 89 milhões de euros, mais três milhões do que no ano anterior, enquanto a dívida líquida aumentou 71 milhões face a um ano antes, passando de 22 milhões negativos para 49 milhões de euros.
Um agravamento que a empresa justifica com o “aumento de dívida nas renováveis e indústria naval associado aos investimentos para aumento de capacidade instalada em curso (investimento na nova doca de Viana do Castelo e no projeto de renováveis na Polónia de 30MWp”.
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Recorde-se que a Visabeira Indústria encabeça a oferta pública de aquisição (OPA) à Martifer no âmbito de um acordo acionista com a Mota-Engil e a I’M, dos irmãos Carlos e Jorge Martins, para permitir a entrada do novo acionista.
Este trio controla, em conjunto, cerca de 87,4% dos direitos de voto da empresa, com a OPA a oferecer uma contrapartida de 2,057 euros por ação.
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