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Gigante alemão Thyssenkrupp admite vender maioria do negócio do aço

O grupo alemão fundado há 200 anos pondera mudar a sua estratégia, assente na indústria pesada.

Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 19 de Maio de 2020 às 14:04
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A Thyssenkrupp admite vender a maioria da sua divisão de produção de aço, alterando de forma histórica a sua estratégia assente na indústria pesada, indicou esta terça-feira à Reuters Martina Merz, CEO do grupo alemão.

"Nada está fora de causa agora", respondeu Merz quando questionada sobre a possibilidade de o grupo vender uma participação maioritária no negócio do aço. A CEO falava horas após ter anunciado que o grupo estava em negociações com outras empresas da indústria do aço sobre possibilidades de consolidação.

Merz considera que a pandemia da covid-19 abriu novas possibilidades de cooperação. "Estamos a analisar todas as opções. Isso significa que todas as formas de consolidação estão sob estudo, incluindo fusões, takeovers, nós comprarmos empresas ou desenvolvermos a unidade de forma independente", referiu a CEO numa videoconferência com jornalistas.

A ideia de que a divisão de aço já não é considerada uma parte essencial da Thyssenkrupp marca uma alteração histórica na estratégia da empresa fundada em 1811 por Friedrich Krupp com a criação de uma fundição de aço.

O negócio do aço da empresa, o segundo maior da Thyssenkrupp na Europa em termos de vendas, representando cerca de 20% do volume de negócios, tem vindo a decair devido a uma redução da procura, importações mais baratas vindas da China e uma tentativa falhada de fusão com a divisão europeia da indiana Tata Steel, que foi bloqueada devido a questões de concorrência por parte dos reguladores.

Nos últimos 12 meses, as ações da Thyssenkrupp perderam quase dois terços do seu valor, penalizadas por vários "profit warnings".

A possibilidade de alienação da divisão de aço vem acelerar o desmantelamento do grupo, um processo iniciado no ano passado, quando a Thyssenkrupp vendeu uma das suas "jóias da coroa": a divisão de elevadores.

Segundo a Reuters, alguns investidores defendem que o conglomerado, que tem áreas tão diversas como peças para o setor automóvel ou para submarinos, deve ser fracionado, por forma a maximizar o seu valor. As ações da Thyssenkrupp seguiam a ganhar mais de 3,2% na manhã desta terça-feira.

A Reuters refere que a Thyssenkrupp estará a negociar com a Tata Steel, mas também com a sueca SSAB e a chinesa Baoshan Iron & Steel.

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