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Navigator vai produzir combustível verde para aviação em projeto de 600 milhões

A empresa portuguesa e a alemã P2X Europe vão criar uma joint venture para desenvolver uma unidade industrial de última geração para produzir, em larga escala, combustíveis não fósseis para a aviação. O investimento total do projeto irá cifrar-se entre 550 e 600 milhões de euros e a decisão final de investimento ocorrerá em meados de 2023.

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Maria João Babo mbabo@negocios.pt 21 de Julho de 2022 às 16:42
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A The Navigator Company e a empresa alemã P2X Europe celebraram um acordo de princípio para a criação de uma joint venture – a P2X Portugal – para desenvolver uma unidade industrial de última geração para produzir, em larga escala, combustíveis não fósseis para o setor da aviação, também conhecidos como e-SAFs (e-Sustainable Aviation Fuels) – jet-fuel (querosene) sintético, neutro em carbono, produzido a partir de hidrogénio verde e CO2 biogénico.

A P2X Portugal será instalada no complexo industrial da Navigator na Figueira da Foz e, sublinha a empresa liderada por António Redondo, "marca um passo fundamental para Portugal e para a Europa no caminho para a construção de um ecossistema totalmente integrado de produção de combustíveis verdes".

O projeto pretende atingir uma capacidade total de produção de eSAF de 80 mil toneladas em ano cruzeiro, assim que totalmente desenvolvido, permitindo reduzir as emissões anuais de carbono em até 280.000 toneladas, refere na mesma nota.

Para as duas primeiras fases de desenvolvimento, o investimento do projeto totalizará cerca de 550 a 600 milhões de euros na instalação de produção de H2 verde, na infraestrutura e processo de captura de CO2 biogénico, e na capacidade de produção de 40.000 toneladas por ano de crude e combustível sintético.

A Navigator adianta ainda que o Governo concedeu ao projeto da P2X Portugal o estatuto de Projeto de Interesse Nacional (PIN), "o que atesta a sua força, maturidade e qualidade global".


A decisão final de investimento prevista para ocorrer até meados de 2023, estando o projeto programado iniciar a operação comercial já no primeiro semestre de 2026.

O projeto está, contudo, sujeito ao cumprimento de condições precedentes, que incluem, entre outras,  "a disponibilidade de energia renovável a preços competitivos (tipicamente eólica e solar), um adequado enquadramento regulatório para a produção de hidrogénio verde, a definir no EU Delegated Act atualmente em discussão em Bruxelas, acordos de off-take satisfatórios com companhias aéreas de referência, e a obtenção de incentivos adequados ao investimento proporcionados pela União Europeia e pelo Governo Português", diz a empresa.

A joint venture está em processo de obtenção de autorização das autoridades anti-trust da UE, refere ainda no comunicado.

A Navigator salienta que "a joint venture P2X Portugal reúne empresas líderes em tecnologia e engenharia e integra toda a cadeia de valor do processo, composto por captura de carbono de até 280.000 toneladas de CO2 biogénico e várias centenas de megawatts de nova energia renovável".

Para a empresa, "este projeto tira partido da elevada competitividade de Portugal na produção de energia renovável (solar e eólica) e do CO2 biogénico gerado pelas biorrefinarias da Navigator que utilizam como recurso as florestas sustentáveis". Em conjunto, acrescenta, "estes são os dois elementos críticos para o sucesso da produção à escala industrial de jet-fuels sintéticos net-zero (neutros em carbono), com vista à descarbonização da indústria da aviação".

A empresa portuguesa faz ainda notar que a "joint venture reúne por um lado o vasto know-how da P2X Europe, precursora no desenvolvimento de projetos PtL (Power-to-Liquids) a nível internacional e trader experiente em combustíveis líquidos, e por outro lado a vasta experiência industrial da Navigator na gestão de biorrefinarias e florestas sustentáveis".

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