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Paulo Azevedo no 8.° aniversário da morte de Belmiro: "Sentimos de forma crescente as suas lições"

“A Sonae será sempre marcada pelos valores que Belmiro de Azevedo tanto moldou”, diz Paulo Azevedo, numa declaração ao Negócios sobre o legado do pai, que morreu a 29 de novembro de 2017.

Paulo Azevedo e Belmiro de Azevedo
Paulo Azevedo e Belmiro de Azevedo Egidio Santos
12:32

Há muitos anos, o Negócios recordou que Belmiro de Azevedo um dia disse ao diário britânico “Financial Times” uma frase que definia de forma quase perfeita a sua essência: “My head is in the clouds, but my feet are firmly on the ground”, ou seja, "A minha cabeça está nas nuvens, mas os meus pés estão firmes na terra".

Era assim que o patrão da Sonae, para muito o maior empresário nacional depois do 25 de abril, era visto pelo comum dos portugueses: Como um empresário que concretizou os sonhos.

"Assumi como estilo de vida pessoal e atitude empresarial do grupo que dirijo: 'be prepared', ou seja, prepare-se para decidir com pouca informação, com pouco tempo. Por mera coincidência, o acrónimo Sonae tem, em japonês, exactamente tal significado [preparação]", explicou Belmiro de Azevedo a Filipe S. Fernandes, autor do livro "O Homem Sonae".

Foi em 1985, ano de abertura do primeiro Continente (ainda hoje a “cash cow” do grupo), que nasceu a cartilha "Homem Sonae", escrita pelo próprio em 30 minutos. No fundo, 10 mandamentos para quem quisesse pertencer de corpo e alma ao grupo e conduzir a Sonae ao sucesso:

"1. O Homem Sonae ou é líder ou candidato a líder;

2. O Homem Sonae é culto, evoluindo do seu estágio de competência técnica para o estágio de Homem culto em geral;

3. O Homem Sonae deve ter disponibilidade temporal e resistência física para vencer períodos mais intensos de carga de responsabilidades;

4. O Homem Sonae deve ter disponibilidade mental para aceitar críticas vindas de superiores ou subordinados, deve reagir ou replicar, mas deve evitar a retaliação sistemática;

5. O Homem Sonae deve ter apreço pelo trabalho dos seus subordinados, cuidando permanentemente para que as condições de trabalho e o grau de conhecimento de todos os trabalhadores sejam continuamente melhorados;

6. O Homem Sonae deve ser reconhecido interna e externamente pela verticalidade do seu carácter;

7. O Homem Sonae deve ter elevados critérios de exigência pessoal, com forte devoção às suas tarefas, embora procurando sempre um justo equilíbrio com outras atividades;

8. O Homem Sonae deve ter um código ético e deontológico rigoroso em termos de valores;

9. O Homem Sonae tem de aceitar o desafio da concorrência interna e externa;

10. O Homem Sonae procura a excelência e fá-lo pelo somatório das boas decisões que vai tomando e excluindo liminarmente os erros parciais."

Paulo é apaziguador, Cláudia tem mais “killer instinct”

Manhã de 20 de março de 2007: Era para ser apenas mais uma apresentação anual de contas, na ressaca de uma OPA sobre a PT fracassada, mas Belmiro de Azevedo surpreendeu ao anunciar que estava de saída da presidência executiva do grupo. O seu filho do meio seria o novo homem-forte da Sonae.

Com Paulo Azevedo, o maior empregador do país tornou-se mais democrático na gestão e muito menos mandão nos negócios, rasgou "novas avenidas de crescimento", tornou-se mais internacional e muito mais tecnológico.

Mas o retalho alimentar continuaria a ser a "caixa registadora" do grupo, representando 70% da faturação.

Paulo Azevedo chegou a assumir: "É verdade que somos merceeiros, mas com design e inovação."

Começou por se distinguir do pai pela forma como passou a gerir as suas equipas.

Em contraste com o estilo algo conflituoso de Belmiro, que geria no "caos organizado", Paulo assumiu uma postura mais apaziguadora e aberta à negociação, mudando a cultura do grupo.

Tornou o processo decisório muito menos centralizador, delegando mais, criou autonomias e funções, injetou a gestão com administradores não executivos externos, apostou numa equipa unida pela partilha e cumplicidade.

E acabou mesmo por trazer para o seu lado a sua "alma gémea" da gestão, dividindo a presidência executiva com Ângelo Paupério.

Tal como o irmão, que chegou a CEO da Sonae em vésperas da severa crise mundial que se seguiu à falência do Lehman Brothers, quis o destino que, pouco tempo depois de ter substituído Paulo no cargo, em abril de 2019, uma pandemia global pusesse à prova a fama de durona, espírito prático e focado de Cláudia.  

A Sonae está cada vez mais assertiva, com a CEO do grupo a provar que não tem medo de tomar decisões, consolidando a pista dada pelo pai, a de que é “a mais parecida” com ele, “a que tem mais ‘killer instinct’”.

Cláudia Azevedo continua a injetar adrenalina numa Sonae que gosta de ir às compras, sobretudo internacionais, adora tecnologia e perfumes, ama Salsa e está cada vez mais “pet-friendly”, apesar de a MC continuar a representar perto de 80% da faturação anual da SGPS, que ronda os 10 mil milhões de euros.  

"Sou um sortudo porque os meus filhos são bem-educados, são trabalhadores"

Mantendo o estatuto de maior empregador privado nacional, com cerca de 50 mil trabalhadores, a Sonae é muito mais do que tudo que está pendurado na SGPS.

A Efanor, “holding” familiar do clã nortenho, integra no seu perímetro colossos como a Sonae Arauco, a SC Investments e a nova Prismore Capital, que agrega os ativos industriais das antigas Sonae Capital e Sonae Indústria.

"Sou um sortudo porque os meus filhos são bem-educados, são trabalhadores", disse um dia Belmiro de Azevedo.

12 março de 2015: “A nossa principal referência vai estar um pouco mais distante", mas "o mais importante de tudo é preservar os valores com que ele fundou a empresa", afirmou Paulo Azevedo a 12 de março de 2015, numa referência direta ao pai, que viria a deixar o cargo de “chairman” da empresa no mês seguinte, tendo morrido a 29 de novembro de 2017.

“A Sonae será sempre marcada pelos valores que Belmiro de Azevedo tanto moldou”, garante Paulo Azevedo, numa declaração ao Negócios a propósito do 8.º aniversário da morte do pai.

“Por incrível que pareça, até sentimos de forma crescente algumas das suas grandes lições e convicções como, por exemplo, acreditar que há sempre mais possibilidades e oportunidades de melhorar, ou acreditar que as empresas podem ter um papel social e ambiental determinante”, enfatiza o “chairman” da Sonae.

 

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