Casaco para peões brilha no escuro com inteligência portuguesa

Chega esta segunda-feira ao mercado nacional um casaco tecnológico 100% português dotado de iluminação inteligente com fibras ópticas, que se destina a quem anda a pé ou de bicicleta. Pretende diminuir as taxas de fatalidade com peões, sendo que 75% dos casos ocorrem no escuro.
Jornal de Negócios
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Rui Neves 10 de setembro de 2018 às 15:11

A agência norte-americana para a segurança rodoviária (NHTSA - National Highway Traffic Safety Administration) concluiu que, em média, um peão foi morto aproximadamente a cada 1,5 horas em acidentes de trânsito em 2016 e 75% das fatalidades ocorrem no escuro.

Uma taxa de fatalidade no escuro que fez luz na "start up" portuguesa VIME, que, juntamente com a têxtil Scoop e a tecnológica LAPA, desenvolveram um produto que pretende diminuir o número de acidentes com peões.

O Musgo é um casaco que tem um sistema de iluminação inteligente com fibras ópticas e chegou esta segunda-feira, 10 de Setembro, ao mercado português.

"O sistema de iluminação inteligente com fibras ópticas que desenvolvemos aumenta a segurança dos utilizadores através da iluminação activa e é ‘inteligente’ graças ao recurso a sensores que existem num ‘smartphone’ e que ajudam, por exemplo, a sinalizar a travagem de um ciclista ou informar um trabalhador que saiu da área de segurança", explica Filipe Magalhães, director científico e tecnológico da VIME, em comunicado.

De acordo com os promotores do Musgo, a aplicação "mobile" permitirá ao utilizador seleccionar a cor, a intensidade e a frequência do efeito de piscar, quer manualmente, quer utilizando os sensores existentes em qualquer "smartphone" para despoletar eventos na iluminação.

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"Estrategicamente, estas funcionalidades serão adicionadas à aplicação já existente dos parceiros Lapa, e estará disponível quer para Android, quer para iOS, beneficiando assim da ampla comunidade de utilizadores mundiais já existentes", enfatiza a empresa.

O Musgo também se apresenta como "amigo do ambiente" já que é feito "com um tecido que incorpora partículas de carvão obtidas a partir de cascas de coco recicladas".

As vantagens deste tecido? "Não se desgasta (pode ser lavado mais de 100 vezes sem comprometer a sua forma e estrutura), não vinca, seca 92% mais depressa do que o algodão e bastante mais rápido que outras fibras técnicas usadas em vestuário desportivo, elimina odores e bloqueia radiação UV", garante Filipe Magalhães.

Um casaco que os três parceiros empreendedores pretendem comercializar a uma escala global.

Para já, o Musgo está disponível para compra na plataforma de financiamento colaborativo indiegogo.

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Uma campanha de "crowdfunding" a decorrer nos próximos 30 dias e que tem como objectivo angariar 70 mil euros, montante que os promotores do Musgo estimam como necessário para conseguirem, "entre outras questões, avançar com a produção industrial dos casacos e atingir uma relação de custo que permita colocar o produto no mercado a um preço competitivo".

No âmbito desta campanha, o casaco poderá ser adquirido por 287 dólares (248 euros), sendo que este preço é exclusivo para doadores

Após o final da campanha, "e dependendo dos objectivos atingidos, o casaco vai estar disponível por um preço que deverá rondar os 600 dólares num site dedicado ao produto, não estando para já prevista a sua disponibilização em lojas físicas", detalha a VIME.

Além de Portugal, os inventores do Musgo querem fazer chegar o casaco "inteligente" aos mercado norte-americano, Canadá, Reino Unido e países do Norte e Centro da Europa, Holanda, Alemanha, Áustria, Polónia, Bélgica, Noruega, Suécia, Finlândia, "países onde as horas de sol são reduzidas e, por isso, há maior procura deste tipo de soluções".

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