Start-ups Fortuna complexa cresce dentro da start-up mais valiosa do mundo

Fortuna complexa cresce dentro da start-up mais valiosa do mundo

O engenheiro de software Zhang Yiming produzia aplicações para partilhar piadas antes de se concentrar na agregação de notícias. Esta mudança de rumo revelou-se lucrativa.
Fortuna complexa cresce dentro da start-up mais valiosa do mundo
Bloomberg
Bloomberg 30 de março de 2019 às 14:00

O fundador da Bytedance, Zhang Yiming, de 35 anos, tem um património de cerca de 13 mil milhões de dólares, segundo o Bloomberg Billionaires Index, que o torna na nona pessoa mais rica da China e uma das mais rápidas dos tempos modernos a acumular uma fortuna enorme. A empresa, fundada em 2012, tem mais de mil milhões de utilizadores mensais ativos em oito aplicações móveis, incluindo um agregador de notícias alimentado por inteligência artificial e uma plataforma de partilha de vídeos.

 

Zhang é o mais jovem bilionário por mérito próprio da Ásia no índice Bloomberg, que monitoriza as 500 pessoas mais ricas do mundo. A sua rápida acumulação de riqueza é um sinal de que a China não perdeu o seu talento para criar fundadores de empresas extremamente ricos, apesar da desaceleração da economia. Também ajuda a explicar porque é que as autoridades parecem estar a adotar uma postura mais tolerante em relação a uma estrutura corporativa favorecida pelos magnatas da tecnologia do país, a maioria dos quais optou por abrir o capital das suas empresas ao exterior.

 

A fortuna de Zhang é mais difícil de calcular do que a dos fundadores da Baidu e da Tencent Holdings, em parte porque a sua empresa ainda não é negociada em bolsa. Também é difícil porque a Bytedance é estruturada da mesma forma que estas duas gigantes da tecnologia - um sistema de propriedade complicado conhecido como entidade de interesse variável (VIE, na sigla em inglês).

 

Dos 44 magnatas chineses no índice de riqueza da Bloomberg, oito são empresários da tecnologia com VIE cotadas fora da China. O património líquido combinado dos bilionários ultrapassava os 150 mil milhões de dólares a 21 de março, e as suas participações não eram conhecidas publicamente antes de as empresas solicitarem aos órgãos reguladores a abertura de capital em Nova Iorque ou Hong Kong.

 

As VIE nunca foram defendidas formalmente pelo governo chinês. Mas, num reconhecimento da sua importância, as autoridades passarão a permitir que as VIE abram o capital no país, autorizando que sejam negociadas numa nova bolsa focada em tecnologia, que deve ser lançada nos próximos meses.

 

Estrutura complexa

A Bytedance é, por enquanto, uma VIE de capital fechado com uma estrutura complexa que envolve camadas de holdings.

 

A sua principal unidade, Jinri Toutiao, pertence a Zhang e ao vice-presidente sénior da Bytedance, Zhang Lidong, através de uma holding registada em Pequim, de acordo com o Sistema Nacional de Divulgação de Informações de Crédito Empresarial da China. Zhang prometeu a sua participação de 98,8% para outra empresa de Pequim, que por sua vez é de propriedade de uma companhia registada em Hong Kong. Esta entidade, na qual Zhang é diretor, pertence a uma empresa registada nas Ilhas Cayman. Os diretores não serão divulgados a não ser que haja um prospeto de entrada em bolsa.

 

O Bloomberg Billionaires Index calculou o património líquido de Zhang estimando que a sua participação seja de 65% e atribuindo à empresa a avaliação de 20 mil milhões de dólares, valor fornecido em 2017 por pessoas com conhecimento do assunto. A análise pressupõe que a sua participação foi diluída através de rodadas de financiamento.

 

Diz-se que a Bytedance foi avaliada em 75 mil milhões de dólares no final de 2018, o que a teria tornado a start-up mais valiosa do mundo - mas este número não foi usado no cálculo do património líquido porque os detalhes não foram confirmados.

 

Um porta-voz da Bytedance preferiu não fazer comentários sobre o património de Zhang nem sobre a estrutura de propriedade.

 

Zhang usa uma VIE porque as regulamentações chinesas limitam o investimento estrangeiro em mais de 30 setores, inclusivamente internet, telecomunicações e educação. A estrutura VIE - que permite que companhias offshore controlem empresas chinesas domésticas através de acordos contratuais - contorna estas regras e possibilita, por exemplo, que a holding da Baidu tenha sede no exterior (e seja negociada nos EUA) sem deixar de ser uma força dominante na China.

 

(Texto original: World's Most Valuable Startup Is Home to a Complex Fortune)




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