Governo aprova Plano da "Cloud" Soberana com "dados críticos a ficarem sob controlo do Estado"
O Governo aprovou o Plano Nacional de "Cloud" Soberana no Conselho de Ministros de 14 de maio. Sem detalhes sobre o programa, até porque o Conselho de Ministros se focou no pacote laboral, este plano chega depois da AWS ter apresentada uma Local Zone em Portugal e de o ministro das Infraestruturas ter dado a garantia de que a infraestrutura de "cloud" será garantida pela IP Telecom.
De acordo com o comunicado da reunião do Governo, este plano "define a estratégia do Estado para reforçar a soberania digital na Administração Pública", com o objetivo de a "munir de procedimentos que asseguram a computação em nuvem de forma segura e coordenada, garantindo controlo sobre dados e sistemas críticos".
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"O diploma estabelece um modelo em que os dados e processos são classificados por níveis de importância, com regras de segurança adequadas a cada caso, mandatando a ARTE e o Centro Nacional de Cibersegurança para a determinação da metodologia de qualificação a partir da qual a Administração Pública deverá, até 30 de junho de 2027 qualificar os seus processos", lê-se no documento.
Num vídeo publicado na rede social LinkedIn, o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, evidenciou que a aprovação deste plano foi "um passo decisivo para um Estado mais moderno, eficiente e preparador para o futuro digital". Contudo, faltam detalhes a este plano, que surge depois da Agenda Nacional para a Inteligência Artificial e do Plano Nacional dos Centros de Dados, que só deverão ser revelados quando o Governo fizer a publicação do mesmo em Diário da República.
Ministro da Reforma do Estado
Gonçalo Matias elencou que a Administração Pública funciona hoje "com sistemas dispersos e difíceis de integrar", sendo que, com o Plano Nacional da Cloud Soberana, Portugal passa "a ter uma infraestrutura comum, segura, auditável e resiliente". "Garantimos que os dados críticos permanencem sob o controlo do Estado, com níveis de soberania ajustados à sua sensibilidade, porque a soberania digital não é uma abstração".
O ministro, que está responsável pela adoção tecnológica dentro dos sistemas do Estado, admite que o plano visa "proteger os dados dos cidadãos e assegurar a continuidade dos serviços públicos". "Num mundo cada vez mais digital, Portugal posiciona-se na linha da frente da soberania digital europeia", afirma no vídeo.
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Na conferência anual da APDC, que discutiu o Estado da Nação no setor das telecomunicações, Miguel Pinto Luz afirmou que a infraestrutura de "cloud" será garantida pela sua tutela, enquanto a gestão do "software" vai recair para a Reforma do Estado.
"Quem vai gerir do ponto de vista quotidiano aquilo que é a utilização dessa infraestrutura é a modernização, a digitalização, e portanto, fica muito claro esta posição dentro do Governo, alguém que tem o 'hardware', a infraestrutura, e a outra tutela que tem o 'software'", disse o ministro.
A IP Telecom vai então ficar responsável por gerir a infraestrutura da "cloud" soberana, responsável por "oferecer serviços essencialmente ao Estado, mas também a pequenas e médias empresas". Aquando da conclusão desta "cloud", prevista para 2030, é prevista uma poupança superior a 30 milhões de euros.
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"Não procuramos na 'cloud' soberana somente ganhos financeiros. Procuramos naturalmente também segurança, soberania, sob os dados que são críticos do ponto de vista da gestão de um Estado de Direito e de uma nação independente", assegurou então Pinto Luz.
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