Sonae investe numa ronda de 51 milhões da anglo-americana Encord

A Bright Pixel, braço de investimento em capital de risco do grupo Sonae, acaba de reforçar o seu portefólio de participações em “infrastructure software”, tendo integrado a ronda de financiamento Série C desta plataforma de infraestrutura de dados AI-native para physical AI.
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Foto: D.R. Equipa da Bright Pixel celebra investimento na Encord Foto: D.R. Encord anuncia Série B de 30 milhões de dólares para transformar dados em IA na Nasdaq Foto: D.R. Sonae reforça investimento em inteligência artificial com ronda na Encord
Rui Neves 17:00

A antiga Sonae IM, atual Bright Pixel Capital, não tira o pé do acelerador na conquista de tecnológicas à escala global, contabilizando já mais de 50 investimentos diretos, desde as fases iniciais às de crescimento, em empresas de áreas estratégicas de negócio como a cibersegurança, “infrastructure software”, tecnologia aplicada ao retalho, “business applications” e tecnologias emergentes.

Depois de ter somado meia dúzia de novas startups em 2023, mais três em 2024 e oito no ano passado, de origens tão diversas como Israel, Estados Unidos, França, Reino Unido ou Áustria, a Bright Pixel já participou este ano em duas rondas de investimento de startups norte-americanas.

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Menos de um mês após ter anunciado a sua presença numa ronda de financiamento Série A de 12 milhões de dólares (mais de 10 milhões de euros) na especialista em cibersegurança Mesh Security, a Bright Pixel acaba de revelar que participou na ronda Série C de 60 milhões de dólares (50,9 milhões de euros) da Encord, uma plataforma de infraestrutura de dados AI-native para physical AI.

Totalizando já a angariação de 110 milhões de dólares (93,2 milhões de euros), com o financiamento agora anunciado a Encord pretende acelerar o desenvolvimento do produto e apoiar a expansão em novos mercados, acompanhando a crescente adoção de sistemas de physical AI em ambiente produtivo.

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Fundada em 2020 pelo dinamarquês Ulrik Stig Hansen e o americano Eric Landau, e com a sua sede dividida entre Londres e São Francisco, a Encord “desenvolve uma plataforma que permite às equipas de IA gerir, organizar, anotar e alinhar grandes volumes de dados multimodais fundamentais para os sistemas de physical AI - como vídeo, imagem, áudio, sensores, 3D e LiDAR”, explica o braço de investimento em capital de risco do grupo Sonae, em comunicado.

Lembrando que “as plataformas ‘legacy’ não foram desenhadas para lidar com este tipo de dados complexos”, a Bright Pixel sinaliza que a “a physical AI, que alimenta robots, veículos autónomos, drones e outros sistemas que operam no mundo real, está agora a entrar numa fase de crescimento acelerado”.

Depois de anos de desenvolvimento em ambiente experimental, estes sistemas estão agora a entrar em fase de produção, com os analistas a estimar que mais de 400 milhões de robots com tecnologia IA vão entrar em funcionamento nos próximos quatro anos e que o mercado de physical AI ultrapassará os 30 mil milhões de dólares (25,4 mil milhões de euros) no mesmo período.

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“Enquanto a primeira vaga de generative AI se focou no mundo digital e na linguagem, a próxima fronteira está na physical AI - sistemas que interagem com o mundo real e físico”, sustenta Pedro Pinheiro, principal na Bright Pixel, apontando que “o maior obstáculo para esta transição não é o acesso a mais poder computacional nem os modelos, mas a qualidade e a curadoria de dados complexos e multimodais”.

Com um produto que garante ser “distintivo e tecnologicamente superior”, Pinheiro considera que a Encord “é neste momento a plataforma de dados de eleição para equipas que levam a IA do laboratório para o mundo real”, pelo que a Bright Pixel se manifesta “entusiasmada por apoiar a equipa nesta próxima etapa de expansão global”.

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À medida que a physical AI evolui da fase experimental para ambientes de produção, a procura pela plataforma da Encord tem registado um crescimento significativo, afiança a Bright Pixel, assinalando que, “nos últimos doze meses, o volume de dados na plataforma aumentou de 1 para mais de 5 petabytes - mais do triplo do volume de dados utilizado no treino do GPT-4 - enquanto a receita proveniente de clientes de physical AI cresceu dez vezes no mesmo período”, assegura.

“Todos estão focados em construir modelos cada vez maiores,” afirma Ulrik Stig Hansen, cofundador e co-CEO da Encord. “Mas, em physical AI, o verdadeiro desafio não é o modelo, mas a preparação dos dados. É possível ter o modelo mais sofisticado do mundo, mas ele falhará se os dados que o alimentam forem incompletos, inconsistentes ou desalinhados com as condições do mundo real. É esse o problema que resolvemos”, aponta.

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Eric Landau, o outro cofundador co-CEO da Encord, acrescenta que o financiamento vai acelerar o desenvolvimento do produto e a expansão para novos mercados: “As empresas que têm sucesso em physical AI entendem algo que outros começam apenas agora a perceber: um modelo é tão bom quanto os dados que o suportam. Estamos a construir a infraestrutura que torna esses dados utilizáveis, não apenas uma vez, mas de forma contínua, à medida que os sistemas aprendem e evoluem no mundo real”, conclui.

Com esta participação, a Bright Pixel reforça o seu portefólio de investimentos em “infrastructure software”, apoiando empresas que desenvolvem soluções críticas para a escalabilidade e eficiência de sistemas avançados de inteligência artificial.

A ronda de financiamento da Encord foi liderada pela Wellington Management e contou ainda com a participação dos investidores existentes, Y Combinator, CRV, N47, Crane Venture Partners e Harpoon Ventures, assim como de novos investidores europeus, incluindo a Bright Pixel e a Isomer Capital.

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