Bruxelas insta Meta a permitir utilização de assistentes de IA terceiros no WhatsApp
A 'gigante' tecnológica tem agora a possibilidade de responder e contra-argumentar a este pedido. Se a Comissão Europeia considerar que a resposta da Meta não é satisfatória, pode decidir impor o pedido hoje anunciado.
A Comissão Europeia instou esta quarta-feira a Meta a permitir a utilização de assistentes de Inteligência Artificial terceiros no WhatsApp, advertindo que poderá impor essa medida se a 'gigante' tecnológica não o fizer.
Esta decisão surge depois de, em fevereiro, a Comissão Europeia ter notificado a Meta sobre um potencial abuso de posição dominante no mercado, após a empresa tecnológica ter anunciado em outubro uma atualização dos termos do WhatsApp Business que impediam assistentes de Inteligência Artificial (IA) terceiros de operar na aplicação.
Em reação a esta notificação da Comissão Europeia, a Meta decidiu, em março, voltar a permitir a utilização desses assistentes, mediante o pagamento de uma taxa.
Num comunicado divulgado hoje, a Comissão Europeia considera que a imposição desta taxa é, "na prática, equivalente à anterior proibição de acesso", uma vez que permite que a empresa tecnológica "impeça concorrentes de entrar ou expandir-se no mercado em rápido crescimento dos assistentes de IA".
Assim, o executivo comunitário insta a Meta a restabelecer o acesso "dos assistentes de IA terceiros nas mesmas condições existentes antes de 15 de outubro de 2025", data em que a Meta atualizou os termos do WhatsApp Business.
A 'gigante' tecnológica tem agora a possibilidade de responder e contra-argumentar a este pedido. Se a Comissão Europeia considerar que a resposta da Meta não é satisfatória, pode decidir impor o pedido hoje anunciado.
Citada no comunicado, a comissária europeia para a Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, refere que o facto de a Meta estar a impedir a utilização de assistentes de IA terceiros no WhatsApp pode "prejudicar seriamente a competição" neste mercado.
"É por isso que decidimos continuar com o nosso procedimento com vista à imposição de medidas provisórias, que restabeleceriam o acesso pleno de assistentes de IA concorrentes ao WhatsApp até concluirmos a análise completa da questão", refere.
Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia anunciou uma investigação formal para avaliar se a nova política da 'gigante' tecnológica Meta, de acesso restrito de fornecedores de inteligência artificial à plataforma de conversação WhatsApp, viola regras de concorrência da União Europeia.
A decisão hoje anunciada insere-se nessa investigação, mas não prejudica o seu resultado final.
A Meta é a dona das redes sociais Facebook e Instagram, bem como de aplicações de comunicação para consumidores, como o WhatsApp e o Messenger.