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Este país ainda é para velhos? Jovem português apaixonado por IA cria Compy

Humberto Bastos, de 20 anos, quer mostrar ao mundo como a tecnologia pode ser usada para melhorar o envelhecimento ativo, tendo já apresentado a sua aplicação na AI Cannes World Fair e validado o conceito em Milwaukee. Agora anda à procura de investidores.

Humberto Bastos
Humberto Bastos D.R.
15:18

“Em 2023 estudava Engenharia e Gestão Industrial na Universidade de Aveiro, curso que tinha sido a minha segunda opção atrás de Inteligência Artificial e Ciência de Dados na Universidade do Porto, que se tornou uma área que me despertou bastante interesse”, começa por contar Humberto Bastos, que tem 20 anos e vive em Vale de Cambra.

Por essa altura, quando a empresa da mãe decidiu apostar fortemente em IA, Humberto ganhou coragem e congelou a sua matrícula para aprender o máximo sobre esta tecnologia.

“Comecei a acompanhar o dia a dia na empresa, a perceber como funcionava na prática”, tendo participado em projetos nos quais percebeu como a IA “podia ser aplicada em diferentes áreas”.

À medida que foi aprendendo, “as ideias e vontade de criar coisas novas” entraram em modo turbo.  

Humberto fez uma formação no Instituto Superior Técnico em Generative AI e, como trabalho final, acabou por criar o Compy, uma ideia que “nasceu quase naturalmente da vontade de usar a IA de forma mais humana e com impacto real”.

“Quanto mais aprendo, mais percebo o impacto gigante que esta tecnologia pode ter na vida das pessoas. Ainda há muito por inventar e melhorar, e isso motiva-me todos os dias. Quero fazer parte desta evolução, deixar a minha marca no futuro da tecnologia e desenvolver soluções que resolvam grandes problemas”, preconiza.

Ora, a solidão é um drama que afeta muitos milhares de idosos em Portugal, que é o segundo país europeu mais envelhecido, a seguir a Itália.

De acordo com os dados da Pordata, em 2024 havia 192,4 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 jovens entre os 10 e os 14 anos.

Os últimos censos, realizados há quatro anos, dão conta de 446.400 idosos (pessoas com 65 anos ou mais) a viver sozinhos.

Números desse ano do Instituto de Segurança Social indicam que há mais 125 mil idosos institucionalizados em mais de seis mil lares.

“Muitos idosos vivem sozinhos e passam dias ou até semanas sem dizer uma única palavra, e como verbalizar é um ato altamente estimulante, quando não acontece, o cérebro sofre”, observa Humberto.

“Companheiro” para "estimular, acompanhar e reportar de forma útil e responsável"

É para enfrentar este problema que o jovem valecambrense está a desenvolver o Compy, uma aplicação que usa IA para estimular cognitivamente idosos através da conversa, com o intuito de atrasar ou prevenir o aparecimento de doenças neurodegenerativas.

O nome Compy vem de “companheiro”, porque “a ideia é precisamente essa, não criar laços emocionais, mas sim estimular, acompanhar e reportar de forma útil e responsável”, explica Humberto, que em fevereiro deste ano apresentou a aplicação na AI Cannes World Fair, uma das maiores feiras internacionais dedicadas à IA, onde teve a oportunidade de “mostrar como a tecnologia pode ser usada para melhorar o envelhecimento ativo”.

“O ‘feedback’ foi extremamente positivo, destacando a combinação entre inovação tecnológica e propósito humano que o projeto representa”, afiança.

No âmbito deste projeto, Humberto Bastos teve também “a oportunidade incrível” de, no passado verão, passar uma temporada num centro de inovação de tecnologia para idosos em Milwaukee, nos Estados Unidos.

“Essa experiência permitiu-me entrar em contacto com tecnologia de ponta, perceber melhor como funciona este setor, aprender como abordar este mercado, validar o conceito, conhecer pessoas talentosas que se juntaram ao projeto e perceber quais serão os maiores obstáculos que o Compy enfrentará”, afirma.

Mas o que mais o marcou, confidencia, foi “perceber a dimensão deste problema”.

“As doenças neurodegenerativas afetam a vida de muitas pessoas, não só dos idosos mas também daqueles que os rodeiam”, alerta.

É também por acreditar nisso que Humberto decidiu voltar a estudar, desta vez Inteligência Artificial e Ciência de Dados na Universidade do Porto, para “adquirir conhecimento sólido” que lhe permita “aplicar esta tecnologia de forma responsável e transformadora”.

“O Compy continua a ser uma das minhas maiores prioridades. Estamos prestes a iniciar os testes-piloto, depois de já termos desenvolvido uma prova de conceito que demonstra claramente o potencial da solução”, revela.

Mas para um desafio desta dimensão, “isso por si só não chega”, admite.

“Por isso, estou à procura de investidores que nos ajudem a reforçar a equipa com desenvolvedores, médicos e psicólogos, para levar esta solução ao próximo nível e fazer com que o Compy possa, de facto, melhorar vidas em larga escala”, sinaliza Humberto Bastos.

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