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Fornecedora da Apple diz que acabou a era da China como fábrica mundial

A escalada das tensões comerciais entre os governos de Washington e Pequim levou fabricantes de aparelhos a diversificarem as suas bases de produção fora da China.

Young Liu é o presidente executivo da Foxconn Bloomberg
Bloomberg 15 de Agosto de 2020 às 12:00
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A Hon Hai Precision, fornecedora chave da Apple e de outras gigantes de tecnologia, planeava dividir a sua cadeia de fornecimentos entre o mercado chinês e os Estados Unidos. Segundo a empresa, o reinado da China como polo de fabricação mundial acabou por causa da guerra comercial.

O presidente do conselho da Hon Hai, Young Liu, disse que está gradualmente a expandir a capacidade fora da China, a principal base de produção de produtos eletrónicos como iPhones, computadores da Dell e consolas da Nintendo. A proporção fora do país atualmente é de 30%, quando em junho era de 25%.

Esta proporção vai aumentar à medida que a empresa - também conhecida como Foxconn – continue a transferir mais operações de manufatura para o sudeste da Ásia e outras regiões. O objetivo é evitar o aumento de tarifas sobre produtos de fabricação chinesa destinados aos mercados dos EUA, disse Liu a jornalistas depois da divulgação de resultados.

"Não importa se é Índia, Sudeste Asiático ou Américas, haverá um ecossistema de manufatura em cada um", disse Liu, acrescentando que, embora a China ainda desempenhe um papel fundamental no império de manufatura da Foxconn, os "dias do país como fábrica do mundo acabaram."

A escalada das tensões comerciais entre os governos de Washington e Pequim levou fabricantes de aparelhos a diversificarem as suas bases de produção fora da China. Liu tinha dito anteriormente que o produto mais valioso da Apple, o iPhone, poderia ser fabricado fora da China se tal fosse necessário. Os dois países seguem em negociações comerciais, mas os comentários de Liu reforçam a expectativa crescente de que a cadeia de fornecimentos de produtos eletrónicos focada na China deve fragmentar-se no longo prazo.

A empresa de Taiwan registou um resultado líquido acima do esperado, de 22,9 mil milhões de dólares de Taiwan (778 milhões de dólares) no trimestre encerrado em junho, impulsionado pelo aumento da procura por iPads e MacBooks. A receita foi de 1,13 biliões de dólares de Taiwan, mas a Hon Hai alertou que espera que as vendas no terceiro trimestre desçam dois dígitos em relação a 2019, com o atraso do lançamento do iPhone deste ano.

A Foxconn tem reorganizado as suas operações tradicionalmente focadas na China. A Hon Hai está entre os parceiros de montagem da Apple que planeiam expandir as operações na Índia, potencialmente ajudando a fabricante do iPhone a aumentar a presença no país com uma população de 1,3 mil milhões e transferir parte da cadeia de fornecimentos da empresa dos EUA para fora da China, devido às tensões entre os dois países.

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