Tecnologias Foxconn suspende compra da Sharp

Foxconn suspende compra da Sharp

Horas depois de a Sharp dar como certo o acordo, a Foxconn veio suspender a assinatura da compra. Em causa podem estar riscos financeiros futuros ainda não contabilizados e estimados em metade do valor do negócio.
Foxconn suspende compra da Sharp
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 25 de fevereiro de 2016 às 11:19

Horas depois de ser conhecida a aprovação pela administração da electrónica Sharp da oferta de compra apresentada pela Foxconn, a compradora comunicou a suspensão da assinatura do contrato à espera de divulgação de informação da companhia japonesa.


De acordo com o Wall Street Journal (WSJ), que cita fontes próximas do processo, estão em causa riscos financeiros futuros que a Foxconn não tinha ainda contabilizado. Segundo a publicação, foram entretanto detectados passivos contingentes (riscos financeiros futuros ou "contingent liabilities" em inglês) que ascendem a 2,8 mil milhões de euros, metade do valor do negócio.


Espera-se que a Sharp, liderada por Kozo Takahashi (na foto) elucide o mercado, ainda esta quinta-feira, sobre o que está em causa.


A Foxconn, um dos fornecedores da Apple, tinha anunciado na manhã desta quinta-feira, 25 de Fevereiro, ter chegado a acordo com a administração da Sharp a compra da electrónica japonesa por 6,24 mil milhões de dólares (5,66 mil milhões de euros).


"Temos de adiar a assinatura até que ambos os lados possam alcançar um acordo. Esperamos clarificá-lo rapidamente para concluir com sucesso este negócio", disse a Foxconn em comunicado citado pelo WSJ.


A oferta da Foxconn sobrepôs-se à do fundo Innovation Network Corp. of Japan, proposta que era apoiada pelo governo japonês. Pela frente – e se os accionistas aprovarem a compra -, os taiwaneses têm agora a tarefa de reduzir as perdas da Sharp (401,6 milhões de euros no terceiro trimestre de 2015) evitando uma grande reestruturação, tal como se comprometeram.


Este é um caso raro no Japão, uma vez que está em causa a venda a uma companhia estrangeira de uma empresa com uma marca forte no país. A compra da empresa, com 103 anos, tem sido motivo de debate público, dividindo os que argumentavam que devia continuar na esfera do país e os que defendem uma maior abertura do mercado japonês a investidores do exterior.


O objectivo da compra, refere o WSJ, é entrar na manufactura de um dos produtos-bandeira da Sharp - o ecrã táctil usado nos iPhone da Apple, um dos componentes mais caros. Esta é uma oportunidade para a Foxconn ampliar a gama de dispositivos que já fornece à marca norte-americana, numa altura em que a Apple prepara a transição para ecrãs OLED, produzidos maioritariamente pela Samsung.


Para o analista Atul Goyal, da Jefferies, a Foxconn "não tem nenhuma experiência em qualquer dos negócios da Sharp. Na verdade, cria grandes conflitos de interesse com esta aquisição", alertava numa nota citada pelo WSJ e produzida antes de conhecida a aquisição.


Os títulos da Sharp fecharam a sessão a tombar 14,37% para os 149 ienes (1,2 euros), depois de terem caído mais de 20% ao longo do dia. 




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