Oracle prepara despedimentos em massa para financiar centros de dados
O corte na força laboral deve ultrapassar os milhares de postos de trabalho. É o mais recente movimento da Oracle na sua jornada de construção massiva de centros de dados para conseguir competir com as gigantes do setor.
Confrontada com uma crise de liquidez e empenhada a continuar a investir na inteligência artificial (IA), a Oracle está a planear cortar milhares de postos de trabalho um pouco por toda a empresa para fazer face aos custos crescentes. A notícia está a ser avançada pela Bloomberg, que cita fontes próximas ao processo, mas que pediram o anonimato, uma vez que se trata de uma restruturação interna que pode ainda vir a sofrer alterações.
O foco da empresa estará em reduzir o número de trabalhadores em funções que podem vir a ser substituídas pela IA, embora cortes desta magnitude possam vir a afetar pessoas fora deste escopo. Liderada por Larry Ellison, a Oracle está a apostar em força na construção de centros de dados para responder às grandes necessidades dos seus clientes, como é o caso da OpenAI - dona do ChatGPT - e conseguir competir com gigantes do setor, como a Microsoft e a Amazon.
Para isso, a Oracle tem-se endividado a grande velocidade. No mês passado, a tecnológica anunciou que pretende financiar-se em 50 mil milhões de dólares só este ano através de emissão de dívida e venda de ações próprias. As projeções de Wall Street, compiladas pela Bloomberg, antecipam que os gastos da empresa com a sua unidade de "cloud" levem o fluxo de caixa da Oracle ao vermelho nos próximos anos - só conseguindo alcançar retorno em 2030.
Em setembro do ano passado, a empresa liderada por Larry Ellison anunciou a sua maior restruturação até à data. O objetivo é mudar o foco do negócio de desenvolvimento de software de bases de dados para a unidade de computação em "cloud" para a IA. A restruturação está avaliada em 1,6 mil milhões de dólares, um valor que inclui indemnizações aos trabalhadores, e deverá acabar já em maio.
A mudança no "core" do negócio da Oracle foi, inicialmente, recebida com grande entusiasmo por parte dos investidores. As ações da tecnológica valorizaram mais de 60% em 2024 e cerca de 20% no ano passado, atingindo máximos históricos em setembro. No entanto, desde aí, e com os receios em torno de uma "bolha" na IA a ensombrarem o mercado, os títulos da empresa já afundaram cerca de 54%.
As notícias dos despedimentos em massa desta quinta-feira também não estão a ser suficientes para devolver o otimismo aos investidores. Neste momento, a Oracle até avança 0,52% em bolsa, mas tem enfrentado grande volatilidade ao longo da sessão, chegando a negociar de 1,5%. A empresa vai apresentar resultados ao mercado na próxima segunda-feira, depois do fecho da sessão em Wall Street.
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