Receitas da Oracle quase duplicam. Previsões indicam procura elevada por centros de dados de IA
A empresa, vista como um barómetro para o setor da Inteligência Artificial (IA), apresentou resultados robustos esta terça-feira, com as receitas a crescerem 84% para 4,9 mil milhões de dólares no trimestre. Ações dispararam 10% no mercado "after hours".
A Oracle, uma das tecnológicas norte-americanas que serve de barómetro para o setor da Inteligência Artificial (IA), registou resultados acima das expectativas e avançou com previsões que indicam que a procura pela infraestrutura de centros de dados não está a abrandar, apesar dos receios dos analistas sobre os investimentos elevados nesta área.
As receitas na unidade de infraestruturas da Oracle dispararam 84% para 4,9 mil milhões de dólares no trimestre terminado a 28 de fevereiro, uma subida superior ao crescimento de 79% previsto pelos analistas e aos 68% registados no trimestre anterior.
A empresa referiu ainda na apresentação de resultados esta terça-feira que as receitas vão alcançar os 90 mil milhões no ano fiscal que começa em junho, quando em média os analistas previam 86,7 mil milhões de dólares.
A empresa tem contratos de grandes infraestruturas de cloud com clientes de peso, como a OpenAI e a Meta. Conhecida pelo seu software de bases de dados, mais recentemente a Oracle tem registado bons resultados com o seu negócio de cloud, ao fornecer centros de dados com chips e outros equipamentos para treinar e desenvolver modelos de IA.
Contudo, esta aposta envolve um enorme custo. O investimento em centros de dados atingiu 18,6 mil milhões no terceiro trimestre fiscal, face aos 14 mil milhões previstos pelos analistas. Para o atual ano fiscal, a empresa manteve as estimativas de uma despesa na ordem dos 50 mil milhões.
Apesar de a empresa reconhecer que “a procura por computação de cloud para treino de IA e inferência continua a crescer mais rapidamente que a oferta”, a empresa está a conseguir acompanhar o ritmo das encomendas dos clientes, com 90% das entregas a serem feitas a tempo ou antes do previsto.
A empresa também está otimista para o futuro, assinalando que "alguns dos maiores clientes da capacidade de cloud para IA reforçaram significativamente a sua posição financeira”, o que deve fazer com que a Oracle “provavelmente exceda a taxa de crescimento de receitas prevista para o ano fiscal de 2027 e além disso”.
A primeira resposta dos investidores foi positiva, com as ações a dispararem 10% no mercado “after hours”, alcançando um máximo de 164,51 dólares. As ações perderam 50% do seu valor desde um pico em setembro, com os receios em Wall Street sobre os custos e logística associados ao desenvolvimento da empresa.
Na sequência da apresentação de resultado anterior, em dezembro, a empresa chegou a afundar 10% em bolsa, despertando novamente os receios sobre uma eventual bolha no setor da IA. Na altura, a Oracle revelou que os investimentos em IA tinham atingido os 12 mil milhões de dólares no segundo trimestre fiscal, um valor bastante acima dos 8,5 mil milhões do período anterior e também das expectativas dos analistas, que esperavam que ficassem pelos 8,25 mil milhões, de acordo com a Bloomberg.
Mais recentemente, foi noticiado que a Oracle planeia cortar milhares de postos de trabalho um pouco por toda a empresa para fazer face aos custos crescentes.
*Com Bloomberg
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