De Guilhofrei a França: mais de mil quilómetros do homem que se fez milionário
O tempo costumava dividir-se entre as terras que os pais cultivavam em Guilhofrei, pequena freguesia de Vieira do Minho, e a casa que partilhava com mais de dez irmãos. Fartura não havia e prosseguir os estudos não foi opção.
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O que existia, contudo, era vontade de ter mais e, por isso, aos 11 anos, um recém-adolescente minhoto deixou para trás a freguesia onde nasceu e rumou a Espinho, onde viveu com uma tia materna e, segundo a revista Visão, trabalhou como feirante. Três anos depois, a mesma vontade que o levara a 112 quilómetros de casa, levou-o a território francês e nem o facto de só ter dois contos [10 euros] no bolso o travou.
Este adolescente é Armando Pereira, que décadas mais tarde viria a tornar-se um dos homens mais ricos de França e que é hoje suspeito de, entre outros, crimes de branqueamento e fraude fiscal na alienação de prédios da Altice - que ajudou a fundar. Mas já lá vamos.
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Armando Pereira é a verdadeira definição de um "self made man". Oriundo de uma família humilde, praticamente sem estudos e que foi vivendo com o que tinha até que aquilo que tinha lhe valeu o estatuto de milionário.
A viragem deu-se em 1999, tinha já mais de 40 anos e era casado com uma francesa, mas o caminho para lá chegar começou a ser traçado em 1985, quando decidiu criar a Sogetrel - uma empresa de telecomunicações. Para tal, teve de pedir um empréstimo. "Pedi 300 mil francos para abrir uma empresa. Ele [o bancário] não hesitou um segundo, eu era um rapaz sério", recordou numa entrevista à revista Sábado, em julho de 2017. Até cá chegar, passou pela construção civil onde os estaleiros das obras chegaram a servir de casa.
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"Passei a instalar cabos de telefone. Estudava à noite e comecei a evoluir no meio. Fiz um curso técnico e com 24 anos era responsável por 1.500 pessoas. Aprendi depressa tudo sobre como funcionavam as redes de comunicação", explicou na mesma altura. "Transformei-a na maior fornecedora da France Telecom", acrescentou ainda, naquela que foi uma das raras entrevistas que alguma vez deu.
A decisão de vendê-la ao banco holandês AB AMRO - por 42,5 milhões de euros- foi tomada em 1999, "para segurar o trabalho que tinha feito", como explicou à revista. Manteve-se lá até 2002 - ano em que, juntamente com Patrick Drahi - fundou a Altice.
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A ligação a DrahiHoje são parceiros, mas há 32 anos Armando Pereira era fornecedor da empresa de telecomunicações de Drahi, que nasceu em Marrocos e cujas raízes são muito diferentes. A relação foi evoluindo e dela resultou aquele que é hoje um dos maiores grupos de telecomunicação: a Altice.
O nome de Pereira não é o primeiro a saltar à vista quando se pensa na operadora. Lá fora, a revista francesa Challenge classifica-o como "ultra discreto" e em território português a imagem não é diferente, como revelaram mais do que uma vez e em diferentes ocasiões pessoas próximas de si.
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É o rosto do "emagrecimento" que a Altice faz nas empresas que adquire. E nunca teve pudor em admiti-lo. "É o nosso trabalho. Essa é a marca da Altice", afirmou à revista Sábado. A relação com Drahi vai além dos negócios, sendo o CEO da Altice uma visita frequente à mansão que Pereira tem em Vieira do Minho e para a qual frequentemente viaja de helicóptero, de acordo com o Sol. Fora dos negócios, é-lhe conhecida a paixão por carros e por rallies - tendo já participado em alguns, de Fafe à Córsega. Quem o conhece, avança a Visão, diz que é na terra natal, "com a família e amigos, que se sente bem" e é por isso que, mesmo vivendo em França, volta e meia vai lá parar. E a terra que o viu crescer foi a mesma que na quinta-feira o viu ser detido, após as buscas à sua casa em Vieira do Minho.
A relação com Drahi vai além dos negócios, sendo o CEO da Altice uma visita frequente à mansão que Pereira tem em Vieira do Minho e para a qual frequentemente viaja de helicóptero, de acordo com o Sol.
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Fora dos negócios, é-lhe conhecida a paixão por carros e por rallies - tendo já participado em alguns, de Fafe à Córsega. Quem o conhece, avança a Visão, diz que é na terra natal, "com a família e amigos, que se sente bem" e é por isso que, mesmo vivendo em França, volta e meia vai lá parar.
E a terra que o viu crescer foi a mesma que na quinta-feira o viu ser detido, após as buscas à sua casa em Vieira do Minho.
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