pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Escolha o Jornal de Negócios como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

China considera "totalmente absurda" anulação de concessão portuária no Panamá

Auditoria que apontou graves irregularidades, pagamentos em falta, erros contabilísticos e até a existência de uma alegada "concessão fantasma" em operação desde 2015.

Panama Ports Company
Panama Ports Company Benvenido Velasco / Lusa - EPA
04 de Fevereiro de 2026 às 07:33

O Conselho de Estado chinês considerou como "irrazoável e totalmente absurda" a anulação judicial do Panamá da concessão portuária à subsidiária do grupo de Hong Kong CK Hutchison.

A decisão "ignora os factos, viola a confiança e prejudica gravemente os direitos e interesses legítimos das empresas de Hong Kong", referiu na terça-feira o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho, numa declaração, publicada na rede social chinesa Wechat, equivalente WhatsApp.

Na semana passada, o Supremo Tribunal do Panamá declarou inconstitucional a renovação, em 2021, da concessão de 25 anos atribuída à Panama Ports Company, subsidiária do CK Hutchison, para operar os portos localizados nas duas extremidades do Canal do Panamá.

A decisão seguiu-se a uma auditoria que apontou graves irregularidades, pagamentos em falta, erros contabilísticos e até a existência de uma alegada "concessão fantasma" em operação desde 2015.

As autoridades panamianas estimam perdas de 300 milhões de dólares (250 milhões de euros) desde a renovação do contrato e um total de 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros) ao longo da vigência do contrato original, iniciado em 1997.

A decisão, além de "veementemente contestada" pelo Governo chinês e o de Hong Kong, foi "fortemente condenada" por "todos os setores da sociedade" da ex-colónia britânica, lê-se na declaração do gabinete de Macau e Hong Kong.

O contrato para "a empresa de Hong Kong, China, está em vigor há quase 30 anos desde a assinatura, e tanto o processo de renovação como o de prorrogação foram confirmados pelas autoridades de auditoria e órgãos reguladores panamenho", lembra o documento, defendendo, por isso, que a decisão reflete uma "grave violação" dos princípios do Estado de direito e do espírito da integridade contratual.

Pequim lembra ainda que a empresa de Hong Kong investiu mais de 1,8 mil milhões de dólares (1,52 mil milhões de euros) em "operações legais" no Panamá e criou milhares de empregos.

"Em vez de valorizar isso, o Panamá recorreu a métodos grosseiros e bárbaros para privar a empresa dos seus direitos operacionais, o que é essencialmente prejudicial aos próprios interesses do Panamá", acusou o gabinete.

Alegando que o contrato de concessão foi assinado de forma justa e voluntária pelas partes e "aprovado por sucessivos governos e congressos panamenhos", o documento diz que a declaração de inconstitucionalidade "envia um sinal aos investidores internacionais de que o Panamá é incapaz de lhes proporcionar qualquer proteção".

As autoridades panamenhas "estão efetivamente a dar um tiro no próprio pé", afirma-se na nota.

O gabinete acusou ainda a decisão de se "vergar à hegemonia": "É evidente para todos que a decisão reflete a capitulação total e a subserviência das autoridades panamenhas aos poderes hegemónicos", nota-se.

A questão tornou-se sensível a nível geopolítico. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez da contenção da influência chinesa sobre o Canal do Panamá uma prioridade estratégica na região.

Apesar das garantias do Governo panamiano e da Autoridade do Canal de que a China não interfere na operação da infraestrutura, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reiterou que o controlo dos portos constitui uma questão de segurança nacional para os EUA. Trump chegou mesmo a declarar publicamente que o Panamá deveria "devolver o canal aos Estados Unidos".

Em paralelo, a CK Hutchison anunciou no ano passado um acordo para vender a participação maioritária nos portos panamianos -- e noutros ativos internacionais -- a um consórcio que inclui a norte-americana BlackRock Inc., mas o negócio terá sido travado devido à oposição do Governo chinês.

Na declaração de terça-feira, lê-se ainda que o Governo chinês está firmemente empenhado em salvaguardar os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas "e não vai ficar de braços cruzados perante a intimidação hegemónica".

Ver comentários
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.