João Bento despede-se dos CTT com lucros a crescer 11% para 50,7 milhões de euros
Os CTT registaram um lucro de 50,7 milhões de euros em 2025, significando uma subida de 11,4% face ao exercício homólogo, naquele que foi o último ano de João Bento à frente dos Correios. Em 2024, a empresa tinha observado uma redução de quase 25% no resultado líquido, pelo que João Bento abandona os CTT com números positivos, mais empresas no portefólio e um caminho para o crescimento orgânico, mesmo com o contexto geopolítico a impactar o segmento Expresso.
Em comunicado à CMVM, a empresa indica que o EBIT recorrente se situou em 115,2 milhões de euros, aumentando em 35,3%, com a margem a situar-se em 8,9% Este valor ficou dentro do intervalo de valores que a empresa tinha fixado no seu plano estratégico 2022-2025, que estimava um EBIT recorrente até 120 milhões de euros no ano passado.
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Os CTT apresentaram ainda receitas de 1.288 milhões de euros no final do exercício passado, com o "e-commerce" a pesar quase metade da atividade. As receitas deram um salto homólogo de 16,3%. De recordar que o plano traçado para o triénio que agora terminou previa entregar receitas entre 1,1 mil milhões e 1.250 milhões de euros até 2025, pelo que a empresa conseguiu ultrapassar o objetivo a que se propôs.
Segundo a empresa comunicou ao mercado, este desempenho "reflete a consolidação da Cacesa no primeiro semestre, na área de negócio Soluções de comércio eletrónico; o crescimento significativo do Banco CTT (que superou claramente os objetivos para 2025); e a recuperação do Correio e Serviços, muito impulsionada pelo bom desempenho dos Serviços Financeiros devido ao aumento da colocação de dívida pública".
A Cacesa, que foi totalmente integrada nos CTT a partir de maio, permitiu que a empresa alavancasse o seu crescimento no segmento de Expresso e Encomendas, agora chamada de soluções de "e-commerce", num momento em que o correio postal está em desuso. Este departamento registou receitas de 626,3 milhões de euros, num aumento homólogo de 33,7%, "graças ao crescimento do tráfego e da receita média por objeto".
A empresa sustenta que distribuiu uma média de 628 mil objetos por dia útil, tendo sido entregues cerca de 156,8 milhões encomendas e correio ao longo do ano passado. Já a receita por objeto atingiu os 3,35 euros, num aumento de 4,3%.
No âmbito deste negócio, a empresa indica que "a Cacesa contribui claramente para reforçar a posição dos CTT no comércio eletrónico em toda a península Ibérica", tendo os serviços de "last mile" crescido 15,5% para 524,4 milhões de euros, sendo "o maior contributo para a atividade do segmento, representando 83,7% das receitas totais" do mesmo.
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Com o compromisso de apostar no comércio eletrónico, os CTT continuam a expandir a rede "out-of-home" em território ibérico. Somam-se agora 20 mil postos de entrega/recolha e 1.320 cacifos da Locky em Portugal e 70 em Espanha, estando já 150 cacifos encomendados para este mercado.
Já os Correios e Serviços atingiram receitas de 516,4 milhões de euros, num ligeiro crescimento de 1,5%, tendo sido impulsionado pelos Serviços Financeiros.
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O Correio apresentou um rendimento de 382,9 milhões de euros na totalidade do ano, tratando-se de uma redução de 10,3 milhões face a 2024, "em resultado da diminuição do tráfego de correio endereçado (-8,6% para 352,1 milhões de objetos em 2025)", justifica a empresa ainda liderada por João Bento, cuja saída está prevista para abril.
Os Serviços Financeiros ganharam 129,6 milhões de euros, num salto de 16%, compensado pelos certificados de aforro e do tesouro. Estes títulos de dívida pública geraram receitas de 25,9 milhões de euros para os CTT, num acréscimo homólogo de 86,9%.
Neste segmento, a compra de dívida pública por parte dos aforristas aumentou no ano passado, passando de 2,1 milhões de euros em 2024 para 5,2 mil milhões de euros em 2025. No entanto, apesar deste acréscimo de 146,8% no espaço de um ano, a alocação de dinheiro neste produto diminuiu ao longo do ano, uma vez que no primeiro trimestre foram registados 1,7 milhões de euros e no último trimestre entraram apenas 1,1 milhões.
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O plano de saúde também registou um aumento do número de utilizadores, na ordem dos 49,2 mil clientes, significando um salto anual de 23,2%. A receita média por utilizador deste procuro fixou-se em 24 euros ao ano em 2025.
Já o banco apresentou rendimentos operacionais de 145,4 milhões de euros em 2025, significando um aumento homólogo de 11,9%, apoiado numa maior margem financeira e em mais comissões. "Tanto a margem financeira como as comissões foram alavancadas pelo crescimento da base de clientes", com as contas à ordem a ascenderem a 707 mil. Isto fez com que o volume de negócios do banco atingisse os 7,9 mil milhões de euros, devido aos depósitos de 4,3 mil milhões, ao crédito de 2 mil milhões, apoiado sobretudo pelo automóvel e habitação, e ainda pelas poupanças "off-balance", que ascenderam a 1,3 mil milhões de euros.
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