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5G: Altice lamenta que redes de quinta geração não tenham avanço semelhante à fibra ótica

"Há um ponto que é incontornável, que é a dicotomia entre o que está a acontecer em Portugal com o 5G e o que aconteceu com a fibra ótica entre 2015 até 2018: passámos de ser um dos países com maior alta taxa de penetração para o que aconteceu a partir de 2019, curiosamente com a mudança do Conselho de Administração da Anacom [Autoridade Nacional de Comunicações]", afirmou Alexandre Fonseca à agência Lusa.

Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, lançou um novo programa de rescisões.
Vitor Mota
Lusa 29 de Novembro de 2021 às 19:40
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O presidente executivo da Altice, Alexandre Fonseca, lamentou hoje que as redes móveis de quinta geração (5G) não tenham tido um desenvolvimento semelhante ao que aconteceu com a fibra ótica, criticando a atual "hostilidade regulatória" em Portugal.

"Há um ponto que é incontornável, que é a dicotomia entre o que está a acontecer em Portugal com o 5G e o que aconteceu com a fibra ótica entre 2015 até 2018: passámos de ser um dos países com maior alta taxa de penetração para o que aconteceu a partir de 2019, curiosamente com a mudança do Conselho de Administração da Anacom [Autoridade Nacional de Comunicações]", afirmou Alexandre Fonseca à agência Lusa.

Em declarações prestadas após ter participado na conferência 'online' promovida pela Associação Europeia de Operadores de Redes de Telecomunicações (ETNO), que representa os principais operadores de telecomunicações da Europa, o responsável lamentou que Portugal tenha passado de uma "liderança na revolução das tecnologias para uma situação em que é um mau exemplo" relativamente às redes 5G.

"Isso cria repercussões para a economia e para as empresas e indica que foi prestado um serviço ao país", criticou.

Alexandre Fonseca, que tem sido bastante crítico da atuação do regulador português na questão do 5G, insistiu "a situação hoje existente em Portugal é de hostilidade regulatória, o que retira estabilidade e credibilidade e afugenta o investimento privado".

No "Fórum Tecnológico e Político 2021" hoje promovido virtualmente pela ETNO, o presidente executivo da Altice criticou também a "falta de incentivos ao investimento", nomeadamente por o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) de Portugal, para aceder às verbas europeias pós-crise da covid-19, não contemplar dinheiro público para as redes 5G.

"Não deixa de ser curioso que o mesmo ministro [das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos] que disse que o PRR não tem verbas para o 5G, porque esse é tema das empresas privadas, é o mesmo que vai destinar os mais de 500 milhões de euros angariados pelo leilão à construção de estradas no interior", criticou Alexandre Fonseca.

Já questionado sobre o valor do investimento da Altice nas redes móveis de quinta geração em Portugal, o responsável falou em 125 milhões de euros já gastos para aquisição do espetro e ao qual se juntarão "mais algumas centenas de milhões de euros ate 2024".

Para hoje, estava marcada uma reunião entre o empresário e a vice-presidente executiva da Comissão Europeia com a pasta da Concorrência, Margrethe Vestager, que foi adiada devido ao agravamento da situação epidemiológica da covid-19.

Alexandre Fonseca indicou à Lusa que "o objetivo dessa audiência deve-se à ausência de 'feedback'" de Bruxelas sobre a carta enviada pela Altice ao executivo comunitário, no início de setembro, na qual a operadora transmitiu o seu desacordo face às sucessivas alterações ocorridas nas regras do leilão de 5G.

"Passam-se situações demasiado graves em Portugal para que ninguém olhe", vincou o presidente executivo da Altice, afirmando esperar uma reunião no início do próximo ano com Margrethe Vestager para também denunciar as "regras assimétricas em termos de concorrência para novos 'entrantes' na aquisição do espetro" do 5G.

A licitação principal do leilão do 5G terminou no final de outubro, mais de nove meses após ter arrancado e depois de 1.727 rondas, num montante total atingido de 566,802 milhões de euros, anunciou a Anacom.
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