Isabel dos Santos diz que cotação da PT para efeitos de OPA só deve contar a partir de 17 de Outubro
Foi a 17 de Outubro que o tribunal do Luxemburgo determinou a insolvência da Rioforte, pelo que é essa a data que se deve considerar para determinar o prémio da OPA lançada, defende Isabel dos Santos junto da CMVM.
"Os critérios de valorização de mercado considerados na data do anúncio preliminar (9 de Novembro) são os que melhor reflectem a nova realidade da PT SGPS, a qual sofreu alterações significativas no valor dos seus activos no decorrer dos seis meses que antecederam o mesmo", defendeu, junto da CMVM, a Terra Peregrin, empresa de Isabel dos Santos que lançou uma OPA sobre a PT SGPS, oferecendo 1,35 euros por acção, acrescentando que "qualquer comparação de contrapartida com a evolução da cotação das respectivas acções num período anterior ao anúncio preliminar só poderá ser feita após o dia 17 de Outubro de 2014".
Isto é o que a Terra Peregrin escreve no projecto de prospecto da operação, dados que o Negócios obteve junto de fonte conhecedora da oferta.
Este é um dos argumentos que a Terra Peregrin dá para defender a sua contrapartida, de 1,35 euros por acção, e ao mesmo tempo pedir a derrogação do lançamento de OPA obrigatória consequente à OPA voluntária, caso obtenha o controlo.
É que nas OPA obrigatórias a média dos seis meses é que tem de ser considerada.
Mas no projecto de prospecto, a Terra Peregrin defende que "o preço é justo e equitativo e considera-se devidamente justificado", falando num prémio entre 11% e 66%, conforme a base de comparação.
O prémio de 11% tem em conta o fecho da sessão anterior ao anúncio preliminar. O prémio sobe, segundo Isabel dos Santos, 18% se considerar a média de cotação entre 17 de Outubro e 7 de Novembro (última sessão antes do anúncio preliminar) e tendo em conta uma média de recuperação dos instrumentos da Rioforte de 22,8% do valor nominal. Isabel dos Santos acrescenta que tendo em contra o fecho das acções da Oi a 7 de Novembro, então o prémio é de 27,3% considerando o mesmo nível de recuperação dos papéis comerciais da Rioforte e de 54,8% considerando que nada se recupera do investimento na Rioforte.
Estes são os principais argumentos para Isabel dos Santos manter os 1,35 euros por acção oferecidos pela PT SGPS e ao mesmo tempo pedir para não ser lançada OPA obrigatória se ficar com 50,01% da PT SGPS.
De resto, como o Negócios noticiou Isabel dos Santos manteve as condições e pressupostos já revelados a 17 de Novembro.