App para transportes do Porto "Anda" com problemas

A aplicação móvel criada para substituir o Andante e facilitar a circulação no autocarro, metro e comboio tem registado várias falhas nas primeiras semanas. A promotora garante resolver o problema e devolver o dinheiro.
Paulo Duarte/Negócios
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António Larguesa 10 de agosto de 2018 às 16:00

A aplicação móvel (app) que permite viajar nos transportes públicos da Área Metropolitana do Porto está a ter um arranque atribulado. Pouco mais de um mês após ter sido lançada, a Anda tem deixado vários passageiros "apeados" devido a problemas de compatibilidade em alguns "smartphones" e também ao mau funcionamento dos equipamentos de validação.

Em declarações ao Negócios, o administrador-delegado da Transportes Intermodais do Porto (TIP), a entidade responsável por este projecto que custou dois milhões de euros (metade do valor foi coberto pelo fundo ambiental) e tem colhido críticas nas redes sociais, admitiu que "como qualquer aplicação informática, a Anda não é imune a falhas ocasionais no seu funcionamento, independentemente de todos os testes realizados antes do seu lançamento".

"Apesar dos testes realizados durante um período de cerca de um ano, num conjunto muito restrito de modelos [de telemóveis] verificam-se problemas de compatibilidade", reconheceu João Marrana, assegurando que para esses aparelhos em que a app não funciona "a situação está a ser endereçada e nas próximas semanas será disponibilizada uma nova versão da aplicação que resolverá uma parcela significativa destes problemas".

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Relativamente aos casos de dificuldade de funcionamento em alguns validadores, o responsável da TIP sublinhou que esses equipamentos "estão a ser substituídos para resolver o problema", que está a impedir a utilização plena desta nova tecnologia apresentada a 30 de Junho, que desmaterializou o título de transporte intermodal válido na STCP, Metro do Porto, empresas de transportes privados que operam na linha do Andante e nos comboios urbanos.

Além disso, João Marrana sustentou que também há casos que resultam simplesmente de "problemas de validação incorrecta, associados [ao] processo de adaptação por parte dos clientes" que, por exemplo, não imobilizam o telemóvel o tempo suficiente para permitir a validação. Os motoristas, revisores e agentes de segurança e da rede de vendas dos vários operadores já têm instruções para apoiar os utentes neste período de transição.

Em todas as situações reportadas pelos clientes em que se viram forçados a adquirir outro título de transporte como resultado de alguma deficiência do funcionamento da app, estes foram ressarcidos dessa despesa. João Marrana, administrador-delegado da Transportes Intermodais do Porto (TIP)

Questionado sobre os mecanismos para a devolução do dinheiro gasto na compra dos alternativos (e mais caros) bilhetes únicos de transporte, o engenheiro respondeu que o TIP tem "vários canais de comunicação disponíveis para recepcionar e tratar" essas queixas e que "em todas as situações reportadas pelos clientes em que se viram forçados a adquirir outro título de transporte como resultado de alguma deficiência do funcionamento da aplicação, estes foram ressarcidos dessa despesa".

Disponível para iPhone num "prazo relativamente curto"

Quando estiver a funcionar a 100%, a Anda vai evitar preocupações com o tipo de viagens a comprar – seja no início do mês ou a cada deslocação –, uma vez que o sistema atribui a cada passageiro o tarifário mais favorável e o pagamento é feito no final do mês, permitindo também consultar o histórico de viagens e os custos associados à conta. Para já apenas está disponível para telemóveis com sistema operativo Android, versão 5.0 ou superior, equipados com as tecnologias Near Field Communications (NFC) e Bluetooth.

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Os detentores de iPhone ainda vão ter de esperar, dado que a utilização da app nos aparelhos com sistema iOS "depende da disponibilização, por parte da Apple, das ferramentas que permitam utilizar as comunicações NFC nesses equipamentos". "Não existe ainda nenhuma indicação objectiva de quando estas ferramentas serão disponibilizadas. Existe, porém, a expectativa de que isso possa ocorrer num prazo relativamente curto", concluiu João Marrana.

Alargar a táxis, "car sharing" e estacionamento

No dia do lançamento oficial, o ministro do Ambiente confiou que esta app vai "simplificar a relação das pessoas com os transportes", pois "permite que tudo seja muito mais simples e no final de cada mês, tal como hoje se paga a conta da água e da luz, passemos a ter uma conta de mobilidade". "Sendo rigoroso, ainda é uma conta de transporte, mas queremos que evolua para ser uma conta de mobilidade. Isto é, todas as outras formas de mobilidade metropolitana podem associar-se. Os táxis, o transporte partilhado ou os parques de estacionamento podem associar-se a esta aplicação e passamos a dispor de uma forma de pagamento muito mais simples e optimizada", antecipou João Pedro Matos Fernandes.

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