Pedro Marques: Estratégia da CP para a liberalização é de cooperação com a Renfe

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas reconheceu no Parlamento que há dificuldades na CP e na EMEF que não se resolvem num dia. A intervenção nas carruagens dos Intercidades é uma das prioridades do reforço de pessoal na manutenção.
José Sena Goulão/Lusa
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Maria João Babo 12 de setembro de 2018 às 14:45

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, salientou esta quarta-feira no Parlamento que a estratégia da CP para a liberalização do transporte ferroviário de passageiros na União Europeia, que tem lugar a 1 de Janeiro de 2019, é de cooperação com a Renfe, "nomeadamente nos serviços de natureza transfronteiriça", em vez "de estar em concorrência desenfreada" com o operador espanhol.

Sem se comprometer com uma data concreta, o responsável disse aos deputados que o contrato de serviço público com a CP será feito até ao final deste ano, e que com ele regressará o pagamento de indemnizações compensatórias à empresa, que deixaram de existir em 2015. O valor dessas indemnizações compensatórias, acrescentou, será definido nesse contrato.

Pedro Marques desvalorizou ainda a questão das cativações à CP, afirmando que "há cativações e descativações".

Na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, o ministro reconheceu que "há dificuldades na CP e na EMEF", que "não é possível recuperar de um dia para o outro", mas garantiu que o Executivo tem um plano para a ferrovia que "não é para a privatizar".

O ministro do Planeamento salientou as prioridades do Governo para esta área, que passam que passam pela recuperação da infra-estrutura, pela aquisição de material circulante e pela recuperação da capacidade da empresa de manutenção.

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Pedro Marques contestou ainda a ideia de "caos instalado na CP", garantindo que em Agosto a empresa fez 99,4% dos comboios. Explicou ainda que na linha de Cascais "quando se retomaram os horários fizeram-se 98% dos comboios" e isso "por vandalismo de seis comboios". Nas semanas anteriores, salientou, a CP fez 100% dos comboios.

Questionado sobre o plano de aquisição de material circulante, Pedro Marques explicou que o Governo teve de fazer escolhas face aos recursos disponíveis, "em vez de nos metermos em megalomanias". Daí que a opção tenha sido a compra de 22 comboios para o serviço regional.

Pedro Marques disse ainda que a avaliação que foi feita concluiu que o material circulante do longo curso precisa de continuar a ser renovado, mas sublinhou que não só com renovação de meia vida os Alfa podem durar mais, como uma das prioridades com a contratação de mais pessoal para a EMEF é a manutenção de carruagens dos Intercidades. Além disso, acrescentou, no contrato com Renfe está prevista a possibilidade de alugar material adicional.

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