ANAC diz que subida dos salários decorre "da alteração da sua natureza jurídica"
A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) remete para a apresentação do Relatório de Actividades e Contas, que terá lugar até ao final do primeiro trimestre deste ano, a divulgação dos montantes das remunerações.
"A fixação dos vencimentos do conselho de administração da ANAC decorre da alteração da sua natureza jurídica, conforme Lei Quadro das Entidades Reguladoras Independentes, bem como da publicação e entrada em vigor dos seus estatutos, que passaram este organismo de Instituto para uma entidade reguladora independente em 1 de Abril de 2015".
A Autoridade Nacional da Aviação Civil ANAC) reagiu desta forma à notícia desta segunda-feira do JN de que os seus administradores obtiveram aumentos salariais de cerca de 150% em Outubro do ano passado.
Ao Negócios, fonte oficial do regulador da aviação civil sublinhou que "a comissão de vencimentos foi nomeada e só apresentou a sua deliberação a fixar as remunerações em Outubro" e que "deliberou fixar os vencimentos nos termos equivalentes às outras entidades reguladoras independentes abrangidas pela Lei nº 67/2013 (Lei Quadro das Entidades Reguladoras )".
Segundo a mesma fonte, "até à tomada de decisão da comissão de vencimentos não foram processados os vencimentos do conselho de administração", sendo que relativamente a Lígia Fonseca "até ao momento não foram processados vencimentos enquanto vogal do conselho de administração".
Quanto à sua publicitação, a mesma fonte frisou que "os montantes das remunerações irão ser divulgados aquando da apresentação do Relatório de Actividades e Contas que terá lugar até ao final do primeiro trimestre deste ano".
Segundo o JN, a decisão elevou a remuneração mensal do presidente ANAC, Luís Ribeiro, de 6.030 euros para 16.075 euros, o salário do vice-presidente Carlos Seruca Salgado de 5.499 euros para 14.468 euros e o da vogal Lígia Fonseca de 5.141 euros para 12.860 euros.
A entrada da nova administração na ANAC aconteceu no Verão, sendo que, segundo o JN, a comissão de vencimentos da ANAC fixou as novas remunerações com efeitos retroactivos a Julho, o que vai contra o estabelecido pela lei-quadro das entidades reguladoras.
Em causa poderá também estar a falta de publicação até agora desses aumentos salariais, como obrigará também a lei-quadro.
O Ministério do Planeamento e das Infra-estruturas já se mostrou "surpreendido" e adiantou estar a analisar a situação.