Aviação Azul dispara quase 5% na estreia na bolsa de São Paulo

Azul dispara quase 5% na estreia na bolsa de São Paulo

Os títulos da empresa controlada por David Neeleman, um dos investidores privados na portuguesa TAP, brilharam na entrada na bolsa brasileira. No arranque das negociações, valiam 21,97 reais, mais 4,62% que os 21 reais por título a que o IPO foi consumado.
Paulo Zacarias Gomes 11 de abril de 2017 às 15:16

As acções da companhia aérea brasileira Azul, detida por David Neeleman – na foto, parceiro da Atlantic Gateway, o accionista privado da portuguesa TAP – estrearam-se na bolsa de São Paulo a valorizar 4,62% para 21,97 reais e já estiveram, ao longo dos primeiros minutos de negociação, a ganhar 9,43% para 22,98 reais

A chegada à bolsa brasileira consumou-se esta terça-feira, 11 de Abril, e em simultâneo com a negociação em Nova Iorque, naquela que foi a quarta tentativa de abertura de capital da transportadora. No caso dos EUA, a negociação é feita através de certificados de depósitos (ADR na sigla inglesa, emitidos por instituições financeiras norte-americanas e que representam acções de empresas localizadas fora dos EUA). Em Wall Street, estes ADR já chegaram a disparar 10,17% para 22,10 dólares.

Esta segunda-feira, a conclusão da oferta pública inicial (IPO na sigla inglesa) saldou-se por um encaixe de 2.021 milhões de reais (608,9 milhões de euros) com a colocação em bolsa, tendo o preço de entrada sido estabelecido nos 21 reais, dentro do intervalo de 19 a 23 reais pré-estabelecido.

"O IPO é o meio que a gente tem para continuar crescendo," afirmou esta terça-feira o presidente da companhia, Antonoaldo Neves, durante a sessão de entrada em bolsa, em Nova Iorque. Citado pela Bloomberg, o gestor considerou que este é um "dia maravilhoso para a Azul", e que o IPO representa um "marco histórico" para o Brasil, mostrando que "é hora de voltar a investir aqui".

A oferta pública inicial não é o "destino final" da companhia, que encontra um "meio" para "buscar excelência" e para "continuar crescendo," acrescentou.

Com a emissão de novas acções a empresa encaixou 398 milhões de euros e 210 milhões com a admissão à bolsa de títulos já detidos por actuais accionistas. Os valor total ficou acima do que tinha sido estimado na semana passada, quando o mercado apontava para um encaixe de 1.510 milhões de reais.

De acordo com a Istoédinheiro, esta é a maior operação do género na bolsa brasileira nos últimos quatro anos. 

Os investidores que entraram através deste IPO têm a possibilidade de desistir das ordens de compra até dia 13, mas segundo fontes citadas pelo Istoédinheiro, até agora o interesse dos investidores manteve-se.

As acções que agora negoceiam na bolsa de São Paulo são denominadas superpreferenciais, que não dão direito a voto mas garantem o acesso a dividendos, preservando assim o actual controlo accionista da empresa. 

A oferta pública inicial chegou a ser suspensa, na quinta-feira passada, pela autoridade reguladora dos mercados, que alegavam promoção indevida desta entrada em bolsa. Em causa estava o uso irregular de material publicitário não aprovado pela CVM bem como projecções de valorização de investimentos em activos da portuguesa TAP, elementos que constavam do prospecto da oferta. Por outro lado, teria sido divulgada informação sigilosa de previsões de procura. Depois de a Azul ter esclarecido no seu site que os investidores devem ter em conta apenas a informação constante no prospecto, a oferta foi retomada.

Além de Neeleman, a empresa brasileira é ainda controlada pela Trip – Participações e Investimentos (segundo maior investidor) e pela chinesa HNA, que detém 23,7% do capital.

A Azul participou na operação de venda a privados do capital da TAP, com a emissão de um empréstimo obrigacionista no âmbito da capitalização da transportadora portuguesa. Desde a semana passada, a empresa passou a ter a possibilidade de converter em 6% do capital da companhia os 90 milhões de euros de empréstimo feito. 




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