Companhias aéreas estudam planos de contingência por receios de falta de combustível
As companhias aéreas estão, assumidamente, preocupadas com o conflito no Médio Oriente e as suas consequências. Depois do aumento do combustível, as transportadores temem falta de jet fuel, especialmente quando há ataques a refinarias, e já preparam planos de ataque.
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O mundo está do avesso, com o conflito no Médio Oriente a subir de tom e as falhas de combustível a fluir no mundo a serem uma das preocupações mais vincadas. E as companhias aéreas estão preocupadas, não só pela falta de je fuel, mas também pelo fator do preço. De acordo com o Financial Times, várias companhias aéreas já estão a trabalhar em planos de contingência, tendo em conta a ameaça às reservas.
O grupo Air France-KLM, concorrente para ganhar uma participação minoritária no capital social da portuguesa TAP, é um dos que está a elaborar um plano. "Estamos a elaborar planos hoje para definir cenários sobre como lidaríamos com a escassez de combustível", admitiu Ben Smith, CEO do grupo franco-neerlandês, assegurando que neste mesmo plano há a hipótese de eliminar, provisoriamente, rotas em direção à Ásia, uma vez que o regresso ao continente europeu pode estar comprometido.
"Podemos abastecer-nos na Europa, mas quando voamos para uma cidade no Sudeste Asiático, não vamos conseguir realizar o voo de regresso. Se não houver combustível, não se voa. O Sudeste Asiático é muito mais dependente do combustível originário do golfo do que a Europa", apontou Smith ao Financial Times.
A maior preocupação, neste momento, é a incerteza em relação à disponibilidade de jet fuel depois de abril. O CEO da easyJet, Kenton Jarvis, adiantou que não existem garantias de existência de combustível "dentro de seis semanas", embora os fornecedores tenham deixado claro que para as próximas três semanas há garantia de abastecimento.
De recordar que uma das 10 recomendações da Agência Internacional de Energia é que as companhias aéreas reduzam o número de voos em cerca de 40%. "É viável, a curto prazo, uma redução de cerca de 40 % dos voos realizados por motivos profissionais, mantendo simultaneamente a produtividade", lê-se nas recomendações, adiantando que uma participação voluntária nesta campanha "poderia resultar numa redução da procura de querosene de aviação entre 7% e 15%".
Ainda que a Europa tenha reservas suficientes para garantir a possibilidade de voos, a preocupação está precisamente nos regressos. Ainda assim, os aeroportos mundiais parecem ter menos riscos, uma vez que têm 'stocks' significativos de combustível. Um dos exemplos é o aeroporto internacional de Bangalore, que assegura ter combustível para os próximos 25 dias no local.
Esta sexta-feira, o diretor geral da IATA, a associação mundial de companhias aéreas, afirmou que existe uma inevitabilidade no aumento quando o tema é o preço dos bilhetes de avião, especialmente quando os preços dos combustíveis sobem. Desde o início do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, o preço do barril de querosene já duplicou, significando um aumento superior àquele verificado no petróleo bruto, disse Willie Walsh, que já comandou a British Airways.