pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Escolha o Jornal de Negócios como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Itália multa Ryanair em 255 milhões por abuso de posição dominante. Empresa vai recorrer

Regulador italiano fala em estratégia abusiva para impedir a compra de voos por parte das agências de viagens. Transportadora considera a decisão infundada.

Michael O'Leary, presidente executivo da Ryanair
Michael O'Leary, presidente executivo da Ryanair Mariline Alves/Medialivre
23 de Dezembro de 2025 às 10:55

A autoridade da concorrência italiana aplicou esta terça-feira uma multa de 255,8 milhões de euros à companhia aérea de baixo custo irlandesa Ryanair por abuso de posição dominante, considerando que impediu a compra de voos pelas agências de viagens.

"A empresa, em posição dominante na oferta de serviços aéreos nacionais e europeus de e para Itália, levou a cabo uma estratégia abusiva para obstaculizar a que as agências de viagens que utilizassem os voos da Ryanair como parte dos seus pacotes de serviços turísticos", lê-se em comunicado da Autoridade Garante da Competitividade e dos Mercados (AGCM).

Segundo aquele órgão regulador, a Ryanair começou, no final de 2022, a explorar várias formas de dificultar a atividade das agências de viagens, algo que se materializou a partir de meados de abril de 2023 através de ações de intensidade crescente.

A empresa já reagiu e anunciou que vai recorrer da decisão. A Ryanair "instruiu hoje os seus advogados a recorrerem imediatamente tanto da decisão infundada como da multa de 256 milhões de euros, injustamente imposta pela Autoridade Italiana da Concorrência, que procura ignorar – e anular – a decisão precedente de janeiro de 2024 do Tribunal de Milão, que declarou que o modelo de distribuição direta da Ryanair 'indubitavelmente beneficia os consumidores' e leva a 'tarifas competitivas'", indicou hoje a companhia aérea, em comunicado.

A companhia aérea considera que "esta decisão e multa são juridicamente infundadas e serão anuladas em recurso". Para a Ryanair, a reguladora ignorou o facto de a companhia "deter uma participação não dominante (pouco mais de 30%) no mercado italiano, manipulando a definição para excluir tanto as viagens aéreas de longa distância quanto o acesso aéreo de curta distância a diversos outros países, de modo a poder alegar que a Ryanair detém uma posição dominante no mercado italiano de viagens aéreas".

Regulador fala em bloqueio total

Segunda a análise do regulador italiano, numa primeira fase, a companhia terá introduzido procedimentos de reconhecimento facial no seu sítio oficial na Internet para utilizadores de passagens aéreas compradas com a intermediação de agências de turismo.

Depois, no final de 2023, a Ryanair bloqueou, total ou intermitentemente, as tentativas de reservas feitas por agências de viagens no seu portal, bloqueando os métodos de pagamento e cancelando contas vinculadas a reservas feitas por agências de viagens 'online' (OTA, na sigla inglesa).

Numa terceira fase, em início de 2024, a companhia terá promovido acordos de parceria com agências de viagens 'online', posteriormente, com as clássicas agências de viagens físicas, mas com condições que limitavam a possibilidade de oferecer os seus voos quando combinados com outros serviços.

De acordo com a AGCM, para alcançar o objetivo, a Ryanair utilizou como forma de persuasão "o bloqueio intermitente de reservas e uma campanha de comunicação agressiva direcionada às OTA que não assinaram aqueles acordos".

"A prática comprovada prejudicou a capacidade de as agências comprarem voos da Ryanair para combinar com voos de outras companhias aéreas e/ou com serviços turísticos adicionais, reduzindo a concorrência direta e indireta, entre as próprias agências, e, consequentemente, a qualidade e a quantidade dos serviços turísticos oferecidos aos consumidores", continua o texto.

O diretor-executivo da companhia aérea irlandesa, Michael O'Leary, criticou o processo aberto e a investigação, em abril de 2024, e classificou como "piratas" as agências de viagens 'online' Booking.com e eDreams.

(Notícia atualizada com reação da Ryanair)

Ver comentários
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.