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Menzies vai recorrer da atribuição das licenças de "handling" a espanhóis da Clece/South

A empresa “está a trabalhar em estreita articulação” com os assessores jurídicos e tenciona “adotar todas as diligências que se revelem necessárias” para reverter a decisão do concurso de assistência em escala nos principais aeroportos nacionais, alertando para a complexidade da transição e o risco de perturbações operacionais.

Trabalhadores da Menzies Aviation em greve por melhores salários
Trabalhadores da Menzies Aviation em greve por melhores salários Filipe Amorim / Lusa - EPA
19 de Janeiro de 2026 às 21:41

A Menzies não se conforma com a decisão de atribuição das licenças de “handling” dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro ao consórcio da Clece/South, ligado à companhia espanhola de aviação Iberia. Depois de numa primeira reação, na sexta-feira, ter dito que , esta segunda-feira refere que “está a  trabalhar em estreita articulação” com os assessores jurídicos e que tenciona “adotar todas as diligências que se revelem necessárias”.

Num novo comunicado, os representantes da empresa, através de um porta-voz, reiteram estar “profundamente dececionados com o desfecho do processo” e que discordam “de forma clara da avaliação efetuada e da decisão final”. “Continuamos convictos de que a nossa proposta representa o melhor valor global, assegurava a continuidade operacional e apresentava o menor nível de risco para o setor da aviação em Portugal”, diz a empresa, reafirmando a intenção de continuar a operar em território nacional. “A nossa prioridade mantém-se na continuidade da operação, na segurança e nas nossas pessoas em Portugal.”

A empresa considera que, se o operador selecionado assumir as operações de “handling”, “o processo de transição será particularmente exigente”, por ter “impactos muito significativos no setor da aviação nacional e na economia, caso não estejam assegurados o conhecimento profundo do contexto local, a presença operacional e uma adequada compreensão da proposta de valor associada a estas operações”.

A Menzies alerta que “não existe clareza quanto à salvaguarda do atual Acordo de Empresa, negociado com os nossos trabalhadores e respetivas estruturas sindicais, por parte do novo operador, o que poderá colocar em risco a estabilidade laboral”, gerando incerteza entre os trabalhadores, e que, “atendendo aos prazos previstos para a transferência das operações e à complexidade das relações laborais inerentes ao setor", considera "existir um risco elevado de perturbações operacionais”.

A empresa recorda os investimentos significativos que realizou em Portugal desde a aquisição da SPdH (a antiga Groundforce), em 2024, que foram “sustentados na convicção de que, a médio e longo prazo, seria possível elevar os padrões da assistência em escala, reforçar a segurança e a eficiência operacional e contribuir positivamente para o desenvolvimento do setor da aviação e da economia nacional”.

A Menzies diz continuar comprometida com as operações em Portugal, mas diz que “este compromisso deverá ser acompanhado por processos de decisão transparentes, justos e previsíveis por parte das autoridades competentes”. Com a falta de garantias de processos justos e de um enquadramento regulatório estável, a empresa refere que a sua capacidade e de outros investidores estrangeiros para continuar a investir em Portugal ficará “seriamente condicionada”.

Na sexta-feira, o consórcio Clece/South, formado pelas empresas espanholas Clece e South Europe Ground Services (esta última detida maioritariamente pela Iberia, do grupo IAG), venceu o concurso para o serviço de "handling'" nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro para os próximos sete anos, confirmando os resultados do relatório preliminar.

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