Menos passageiros no Metro e mais nos aviões. Mercadorias com quebra em todos os meios
O Metro de Lisboa viu o número de passageiros recuar 4% nos primeiros três meses do ano, enquanto o transporte aéreo cresceu na mesma medida. No entanto, assistiu-se a um declínio geral no transporte de mercadorias, com o transporte rodoviário a ser o mais impactado.
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O transporte de passageiros e de mercadorias divergiu nos primeiros três meses do ano, ainda que se tenha sentido uma quebra generalizada em ambos os segmentos.
Nos movimentos de passageiros, o Metropolitano continua a liderar no número de clientes transportados, mas sofreu nova quebra homóloga. O metro movimentou 69,3 milhões de passageiros entre janeiro e março de 2026, uma redução de 2,2% face ao período homólogo e já depois da quebra de 3,5% que se tinha observado no último trimestre do ano passado. Foi o Metro de Lisboa, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que mais contribuiu para esta redução, tendo verificado um decréscimo de 4% ao transportar 41,5 milhões de passageiros no primeiro trimestre deste ano.
Já o Metro do Porto registou um aumento homólogo de 0,8% ao movimentar 22,8 milhões de passageiros, em linha com o trimestre anterior, enquanto o Metro Sul do Tejo movimentou 4,9 milhões de passageiros, uma diminuição de 0,6%, menos pronunciada do que os -6,3% dos últimos três meses de 2025.
Na mesma linha, o transporte fluvial transportou menos 3,1% passageiros nos primeiros três meses do ano, para um total de 5,1 milhões de passageiros. Só nas diversas ligações do rio Tejo foram transportados 4,9 milhões de passageiros, o que representa uma quebra de 3% face a igual período de 2025. A ligação mais impactada foi a do Cais do Sodré-Barreiro, que viu o número de passageiros cair 11,2% para um total de 245 mil passageiros.
A contrastar com estas quebras, que influenciou o índice do transporte de passageiros, está o meio aéreo. Os aeroportos nacionais movimentaram 14,5 milhões de passageiros, o que representou um crescimento homólogo de 3,9%, abaixo da subida de 4,7% verificada no quarto trimestre do ano passado. "O aeroporto de Lisboa concentrou 54,2% do total de passageiros movimentados, tendo registado 7,9 milhões de passageiros, o que representa um aumento de 3,1% face ao mesmo período de 2025", sendo que a infraestrutura do Porto "movimentou 3,5 milhões de passageiros, refletindo um crescimento homólogo de 8,3%" e o aeroporto de Faro totalizou 1,3 milhões de passageiros, mais 2,4%".
O aeroporto da Madeira movimentou 1,2 milhões de passageiros, um acréscimo de 3,6% do que no período homólogo, e em linha com os números evidenciados pelo mesmo órgão estatístico no que refere o setor turístico, enquanto o aeroporto de Ponta Delgada movimentou 422,0 mil passageiros, menos 6,2% face ao primeiro trimestre de 2025.
Nos primeiros três meses do ano, "o tráfego aéreo internacional movimentou 12 milhões de passageiros, correspondendo a um crescimento homólogo de 4,7% e representando 82,8% do tráfego total de passageiros. O peso do tráfego internacional foi mais expressivo nos aeroportos de Faro, onde representou 90,7% do movimento total de passageiros, de Lisboa (89,9%) e do Porto (87,0%)".
Menos toneladas entregues no primeiro trimestre
O maior impacto foi sentido no transporte rodoviário. Os camiões e carrinhas movimentaram 24,4 milhões de toneladas nos primeiros três meses do ano, o que corresponde a uma quebra homóloga de 12,7%, muito mais elevada do que a diminuição de 4,9% sentida no trimestre anterior. "Esta redução foi sobretudo determinada pelo comportamento do transporte internacional, que registou um decréscimo de 28%, fixando-se em 3,7 milhões de toneladas", numa altura em que o transporte nacional caiu 9,3% para um total de 20,8 milhões de toneladas e representando 85,0% do total transportado (+3,2 p.p. face ao período homólogo).
Também o volume de transporte apresentou uma redução expressiva, tendo diminuído 18,6% para 5,8 mil milhões de toneladas-quilómetro (tkm). O volume de transporte nacional cresceu 2,7% para 1,8 mil milhões de tkm, mas não foi o suficiente para suportar a quebra de 25,3% sentida no transporte internacional, que recuou para os 4,1 mil milhões de tkm.
O INE sustenta que os produtos não energéticos das indústrias extrativas se mantiveram como a principal divisão transportada, apesar de ter sido registada uma redução de representatividade no global de -3,5 p.p., seguida dos outros produtos minerais não metálicos com uma redução de -1,6 p.p. e, por último, dos produtos alimentares, bebidas e tabaco, que viu o maior aumento de representatividade do índice, crescendo 2,9 p.p..
No mesmo sentido, os portos marítimos nacional movimentaram um total de 18,2 milhões de toneladas, correspondendo a um decréscimo de 6,5%, que surgiu depois da diminuição de 18% do quarto trimestre de 2025. "O tráfego internacional atingiu 15,3 milhões de toneladas, menos 8,5% que no trimestre homólogo (-17,8% no quarto trimestre de 2025), correspondendo a 84,2% do movimento total de mercadorias. O tráfego nacional alcançou 2,9 milhões de toneladas, registando um acréscimo homólogo de 5,2%, após a diminuição de 19,7% observada no trimestre anterior", indica o gabinete estatístico, detalhando que Sines sentiu a maior diminuição homóloga (-13%) e Setúbal cresceu 6,2% e Aveiro assistiu a um aumento de 11,6%.
Em sentido contrário está o transporte por oleoduto e por gasoduto. O primeiro atingiu 785,5 mil toneladas entre janeiro e março, mais 5% do que nos meses de 2025. "O gasóleo manteve-se como o principal produto transportado, representando 43,4% do total", tendo sido movimentadas 341,3 mil toneladas deste combustível, significando mais 0,8% do que em igual período de 2025, seguido do Jet A1 (combustível para aviação) com 274,3 mil toneladas.
As movimentações por gasoduto cresceram na entrada (+11%) e na saída (+11,7%). Sines concentrou 79,7% na entrada de gás, o correspondente a 10,7 mil GWh, ou um acréscimo de 4,8%, enquanto a importação por via de Campo Maior cresceu 8,7 p.p. face ao trimestre homólogo para 2,1 mil GWh. "Na saída de gás, o mercado convencional manteve-se como principal destino, com oito mil GWh, com uma ligeira diminuição de 0,1% face ao trimestre homólogo. A produção elétrica em regime ordinário constituiu o segundo principal destino, com 4,5 mil GWh, correspondendo a 33,5% do total, o que traduz um aumento de 9,2 p.p. face ao peso no trimestre homólogo", detalha o INE.