Armada liderada por Mário Ferreira chumba evento sucessor do Red Bull Air Race
O festival aéreo Air Invictus, que vai ocorrer entre 19 e 21 de junho, sucede ao Red Bull Air Race, que teve quatro edições no Porto e em Gaia, a última em 2017, e que desta vez irá abranger também os concelhos de Matosinhos e Maia, com os quatro municípios a apoiar com 1,5 milhões de euros este grande evento internacional, que inclui corridas de aviões, acrobacias, aeromodelismo, festivais de drones, uma feira da defesa e concertos.
As corridas irão realizar-se sobre o rio Douro, com o epicentro entre a icónica Ribeira do Porto e a zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia, esperando os promotores a atração de um milhão de pessoas.
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Ora, a meia dúzia de semanas do festival aéreo, a Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) tomou esta sexta-feira, 8 de maio, uma posição “firme e inequívoca” diante da organização do Air Invictus e da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) de que este evento “não pode avançar sem que os seus operadores disponham de respostas concretas, formais e escritas sobre os impactos na navegação, nas infraestruturas e na atividade económica de quem trabalha no Douro todos os dias do ano”.
Presidida por Mário Ferreira, a associação recorda que o Air Invictus, que utilizará o plano de água e o espaço aéreo do Douro como palco central, “não tem ainda autorização definitiva para a sua realização”, sendo que, de acordo com a organização, a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) “apenas emitirá o seu parecer cerca de 15 dias antes da data do evento”, sinaliza, em comunicado.
Para a AAMTD, este calendário “é simplesmente incompatível com a realidade operacional dos seus associados”, alegando que “os operadores marítimo-turísticos do Douro planeiam a sua atividade com dois a três anos de antecedência, têm reservas confirmadas, contratos assinados e embarcações comprometidas com rotas licenciadas”.
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“Os 15 dias não são um pré-aviso: são uma desconsideração”, afirma Hugo Bastos, da direção da AAMTD e diretor de operações da Douro Azul, empresa do universo empresarial de Mário Ferreira.
“Estão em causa milhões de euros em perdas diretas para os operadores, a que acrescem os prejuízos indiretos sobre o turismo, a restauração e toda a cadeia económica que depende da atividade fluvial, sem que exista, até ao momento, qualquer mecanismo de compensação ou plano de mitigação apresentado às partes afetadas”, lamenta a AAMTD, que conta com 33 associados que, em conjunto, são responsáveis pela esmagadora maioria dos aproximadamente 1,4 milhões de passageiros registados no ano passado.
“O nosso negócio sustenta milhares de colaboradores diretos. Não podemos aceitar que dois dias de evento, sem autorização confirmada, condicione as nossas operações e coloque em causa anos de trabalho e de investimento. Toda a navegação é afetada: não se entra nem se sai, a mobilidade no rio paralisa por completo. E não temos outros locais para recolocar as embarcações. Ninguém nos deu essa resposta porque essa resposta não existe”, denuncia Hugo Bastos.
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Face a este quadro, a associação “exige uma resposta no prazo de uma semana e a realização de uma reunião formal com a APDL, com informação por escrito, antes da data de realização do Air Invictus”.
“Precisamos de uma resposta concreta: não oral, mas escrita, com datas, restrições e soluções reais. Se não podemos acostar as nossas embarcações, qual é a solução? Alguém tem de responder por isso”, atirou Hugo Bastos.
De resto, ainda que reconheça o valor promocional de eventos desta natureza para o Porto e para a região e não se oponha, “por princípio”, à realização do Air Invictus, o que a associação “não aceita é que o entusiasmo em torno de um evento de três dias se sobreponha aos direitos e à sustentabilidade económica de uma atividade licenciada que existe, cria emprego e contribui para a economia regional todos os dias do ano”.
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“O Douro não pode ser encerrado sem aviso suficiente, quando estamos a pouco mais de um mês da realização do evento, sem alternativas, sem compensações pensadas,” conclui Hugo Bastos.
O turismo fluvial na via navegável do Douro conta com 113 operadores e 252 embarcações, tendo no ano passado registado 16.974 eclusagens e mais de 31.500 escaldas, totalizando 1.388.646 passageiros.
Com esta via a gerar um impacto económico estimado entre 350 e 450 milhões de euros, a AAMTD defende a criação de um Plano Estratégico Nacional para o Turismo Fluvial no Douro, com horizonte 2030, envolvendo o Governo, a APDL, as autarquias ribeirinhas e os operadores privados.
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