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Portugal tem 70 novos hotéis com 7.520 camas em construção após os 83 abertos em 2025

Cerca de 60% dos que deverão abrir nos próximos dois anos correspondem aos segmentos de gama alta ou de luxo, com metade da oferta a concentrar-se na Área Metropolitana de Lisboa.

Portugal vai ter 70 novos hotéis até 2028.
Portugal vai ter 70 novos hotéis até 2028. D.R.
10:01

A viragem estratégica de Portugal para o turismo de alto valor acrescentado, reforçando o seu posicionamento como um destino emergente no competitivo mercado turístico global, está espelhado nestes números: Perto de um terço dos 83 novos hotéis, com 4.080 camas, inaugurados no ano passado, são de cinco estrelas.

Apesar de o volume da nova oferta inaugurado em 2025 “represente o nível mais baixo dos últimos cinco anos em termos de camas adicionadas ao mercado”, as novas unidades de cinco estrelas abertas atingiram “o seu maior peso relativo na história recente do setor”, revela a JLL, em comunicado.

Além disso, os hotéis de cinco estrelas registaram um aumento de 5% nas dormidas em 2025, “superando o crescimento de 3% da média do mercado e evidenciando o crescente interesse por alojamentos de gama alta”, realça a consultora imobiliária.

Transações no valor de 480 milhões de euros em 2025

O dinamismo do setor reflete-se também na atividade transacional que, durante 2025, totalizou 480 milhões de euros investidos, sobretudo em hotéis de quatro e cinco estrelas, assinala a JLL.

Entretanto, apoiado por “sólidos indicadores operacionais” e “um crescimento sustentado da procura internacional”, o setor tem um forte “pipeline”  em desenvolvimento focado em segmentos de maior valor acrescentado.

De acordo com os dados recolhidos pela JLL, encontram-se atualmente em construção 70 novos hotéis no país, com uma capacidade conjunta de 7.520 camas e conclusão prevista até 2028.

Destas, 60% corresponderão aos segmentos de gama alta ou de luxo, sendo que metade da futura oferta hoteleira concentrar-se-á na Área Metropolitana de Lisboa.

“Portugal consolida-se como um dos mercados hoteleiros mais dinâmicos e atrativos da Europa, impulsionado por uma forte procura internacional e uma clara aposta estratégica no segmento de alto valor acrescentado”, afirma Andreia Almeida, head of research da JLL Portugal.

“Com 70 novos hotéis previstos até 2028 - e 60% das camas em unidades de segmentos de gama superior - o país está a reforçar o seu posicionamento no turismo ‘premium’”, enfatiza Andreia Almeida, considerando que “esta mudança estrutural é apoiada tanto pelos fundamentos operacionais como pela crescente sofisticação e maturidade do mercado hoteleiro português”.

Taxa de ocupação de 73% em Lisboa, 69% no Porto

Segundo o relatório “Market 360º” elaborado pela JLL, a nível nacional a taxa de ocupação atingiu 67,6%, com níveis particularmente elevados nos principais destinos urbanos: Lisboa registou uma ocupação de 73,5%, enquanto o Porto atingiu 69,3%.

Em termos de rentabilidade, o preço médio diário (ADR) situou-se em 166 euros em todo o país, atingindo 176 euros em Lisboa e 136 euros no Porto, refere a mesma consultora imobiliária.

A melhoria do posicionamento do destino “reflete-se também no aumento da receita por quarto disponível (RevPAR), que atingiu 112 euros a nível nacional, com Lisboa a liderar o mercado com 129 euros e o Porto com 94 euros”.

“Em conjunto, estes resultados evidenciam um fortalecimento do poder de fixação de preços do setor e uma evolução positiva da rentabilidade operacional”, observa a JLL

Recorde de hóspedes e dormidas

Portugal registou um recorde de 32,5 milhões de hóspedes em estabelecimentos turísticos no ano passado, mais 3% em relação ao ano anterior.

Já as dormidas atingiram um novo máximo histórico de 82,1 milhões, o que traduz um crescimento homólogo de 2%.

A procura interna foi “o principal motor deste crescimento”, com um aumento de 5%, enquanto os mercados internacionais, que representaram uma quota dominante de 69% das dormidas, cresceram 1%.

“Conforme espectável, as taxas de crescimento começaram a moderar, após os fortes aumentos registados nos anos após a pandemia, com o mercado a evidenciar uma fase de consolidação, caracterizada por níveis de atividade elevados e uma maturidade crescente”, nota a JLL.

Por outro lado, o crescimento do turismo em Portugal também é acompanhado por uma progressiva diversificação geográfica da procura, verificando-se que “regiões tradicionalmente menos turísticas, como o Norte, a Península de Setúbal ou o Alentejo, estão a registar um crescimento significativo na atividade turística, contribuindo para um desenvolvimento mais equilibrado do setor”.

Ao mesmo tempo, destinos consolidados como o Algarve estão a reduzir progressivamente a sua sazonalidade, registando os níveis mais baixos de concentração da procura da última década.

“Em conjunto, estas tendências apontam para um modelo turístico mais resiliente, diversificado e orientado para segmentos de maior valor acrescentado, reforçando o posicionamento de Portugal como um dos destinos mais atrativos para o investimento hoteleiro na Europa”, conclui a JLL.

(Notícia atualizada às 10:12)

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