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Copiar as bolsas não é batota

Investir através de fundos negociados em bolsa (ETF) pode ser uma boa forma de rentabilizar as poupanças, mas não ceda ao facilitismo.

Deco Proteste 19 de Outubro de 2015 às 11:40
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Em Portugal ainda são relativamente desconhecidos se comparados com os fundos de investimento tradicionais mas, em muitos países, têm vindo a ganhar uma importância considerável nos últimos anos.

Trata-se dos ETF, uma sigla que significa exchange traded fund, sendo que, em português, se pode traduzir como fundos negociados/cotados em bolsa. Tal como os restantes fundos, os ETF podem ser uma boa opção para investir a longo prazo.

As respetivas carteiras são igualmente muito diversificadas e assentam também num património autónomo da gestora. No entanto, possuem naturalmente características que os diferenciam. Facetas essas que constituem ao mesmo tempo as suas grandes vantagens e inconvenientes para os investidores.

Os passivos
A política praticada pela maioria dos fundos de investimento implica que os gestores selecionem as empresas que consideram mais atrativas. É a denominada gestão ativa. Ao invés, o "gestor" de um ETF não tem de escolher os títulos e limita-se a copiar a composição de um índice bolsista. A carteira será uma réplica desse índice. Desse modo oferecem aos investidores a hipótese de obter os mesmos ganhos (ou perdas) de um índice de referência. Por exemplo, se o S&P 500 subir 5%, um ETF respetivo valorizará pela mesma percentagem e o investidor ganhará 5%. É a chamada gestão passiva. Qual a vantagem? É simples, o rendimento de um ETF não depende das (boas ou más) decisões dos gestores de um fundo ativo. Qual o inconveniente? Exatamente o mesmo: a gestão ativa dos fundos tradicionais é mais interessante desde que o investidor opte por fundos com provas dadas. Não é uma garantia que, no futuro, a boa gestão prossiga mas é, sem dúvida, um bom indicador.

Fácil negociação: pau de dois bicos
O facto de os ETF serem permanentemente negociados permite entrar e sair dos mercados rapidamente. Contudo, esta característica, aparentemente vantajosa, pode levar o investidor a cair na tentação de gerir excessivamente a sua carteira, o que seria um erro crasso. Quem aplica nos fundos de investimento tradicionais sabe que não pode (nem deve) dedicar-se à especulação. A subscrição e o resgate são feitos sem o conhecimento exato do valor da unidade de participação, o que impede tentativas de especular sobre os movimentos de curto prazo dos mercados. Ora os ETF estão cotados em bolsa e o seu valor flutua ao longo do dia em consonância com o do índice de referência. Logo, um especulador pode comprar e vender o ETF após uns dias, ou até na mesma sessão. Se o palpite se revelar certo, o investidor irá obter rapidamente uma mais-valia. Caso se engane, então assume o prejuízo! É um tipo de estratégia que desaconselhamos. Não há metodologias suficientemente fiáveis para antecipar o comportamento dos mercados em curtos espaços de tempo. Um investidor prudente deve focar-se no longo prazo, mesmo optando por ETF.

Bolsa e custos
A negociação em mercado também implica que o investidor esteja familiarizado com o tipo de ordens de bolsa e os custos de transação. Por norma, devido à sua gestão passiva, os ETF têm comissões de gestão muito baixas, mas é preciso ter em conta os encargos de transacionar diretamente em bolsa, tal como nas ações.

Dois tipos de mercados
Atualmente a nossa seleção de ETF recomendados divide-se em dois grupos. O primeiro, que é o mais significativo, abrange os ETF dedicados a mercados que estão incluídos nas nossas estratégias, como por exemplo, as ações britânicas, nipónicas e norte-americanas. São ETF cujo nível de desempenho está em tão bom plano como o dos fundos recomendados, sendo por isso alternativas viáveis para incluir na sua carteira. O segundo grupo inclui apenas um punhado de ETF vocacionados para mercados mais alternativos, como as ações mexicanas e sul-africanas. Não lhes dedique mais de 5% das suas poupanças.

ETF complexos
Além dos ETF "normais", há produtos mais elaborados. Entre eles, há os alavancados (ultra, leveraged, 2x) que, através da utilização de instrumentos derivados, procuram multiplicar a evolução do índice. Naturalmente, também multiplicam as perdas com um movimento negativo do mercado. Outros ETF, que já abordámos em edições anteriores, foram desenhados para evoluírem de forma contrária ao índice. Se este recuar 3%, o ETF deverá subir 3%. Por isso, incluem na sua designação as palavras short ou reverse. Nestes produtos, o investidor ganha com as descidas e perde com as subidas. Quer os ETF short, quer os alavancados, são complexos e têm um nível de risco potencialmente elevado. Destinam-se essencialmente à especulação. Por isso, fique afastado, a menos que esteja bem consciente dos riscos.


Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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