Fundos de acções sectoriais
Para diminuir o risco e aumentar a probabilidade de obter ganhos, invista entre 5 a 10% das poupanças nos sectores mais interessantes. E prepare-se para manter o investimento durante, pelo menos, 5 anos. A partir de 100 euros já pode subscrever um dos fun
Tal como muitos fundos de investimento, os sectoriais apostam em acções. Contudo, só aplicam em empresas de um sector específico. Esta estratégia pode privilegiar sectores de maior crescimento e mais sensíveis às oscilações da economia ou mais «defensivos». Isto porque os sectores têm comportamentos diferentes. A procura de telemóveis não evolui da mesma forma que os alimentos. Quando o dinheiro falta, apenas em casos extremos se corta na alimentação. Mas até os fundos especializados em sectores «defensivos», como este último, está sujeito a choques. Por exemplo, só há pouco tempo o sector farmacêutico conseguiu recompor-se da «ameaça» dos medicamentos genéricos. Na escolha do sector, além do crescimento, convém ponderar o risco que lhe está associado. Dado que estes fundos investem a nível mundial, existe ainda o risco de uma evolução desfavorável das outras moedas face ao euro.
Principais novidades
Actualmente, é possível subscrever cerca de meia centena de fundos sectoriais em Portugal. Apesar de o número ter vindo a aumentar, ainda é reduzido. A maioria é gerida por sociedades estrangeiras e apenas pode ser subscrita através de intermediários portugueses «on-line» . Além disso, muitos fundos também são recentes, o que dificulta a análise da qualidade de gestão. Combinadas, estas duas limitações tornam árdua a tarefa de encontrar bons fundos em cada sector.
No quadro apresentado, constam os sectores mais interessantes e para os quais existem fundos com algum historial, acessíveis aos pequenos investidores (ou seja, abaixo dos 5 mil euros).
Existem fundos dedicados a outros sectores, nomeadamente, às telecomunicações e tecnologias de informação, lazer, empresas mineiras, recursos energéticos, etc. Mas não recomendamos a sua subscrição. Como pode observar no quadro, o desempenho dos sectores tem sido distinto.
Com maior ou menor intensidade, todos sofreram a queda das Bolsas entre 2000 e 2002. Só nos últimos 12 meses a evolução tem sido mais positiva.
Apesar de as rentabilidades passadas serem um bom indicador da qualidade de gestão do fundo ou do risco do sector, não são garantia futura. Nos nossos conselhos (ver última coluna do quadro), tivemos em conta as perspectivas de crescimento a longo prazo.
Tudo o que precisa Saber
Subscrição. O processo de subscrição destes fundos é simples e, segundo um teste prático que realizámos, decorre sem problemas. O investidor tem de abrir conta junto do intermediário onde o fundo é comercializado. Em seguida, dá uma ordem de subscrição pelo montante que pretende investir. Essa quantia corresponderá a um determinado número de unidades de participação (UP), nas quais o fundo está dividido. Por exemplo, se investir mil euros no fundo DWS Invest Pharma NC, do sector farmacêutico, com um valor de subscrição da unidade de participação em EUR 92,60, equivale a adquirir 10,799 unidades de participação. A subscrição é feita, quase sempre, sem conhecimento exacto do seu valor. Contudo, poderá usar como referência o último conhecido.
Resgate. Pode ser total ou parcial. Nalguns casos, poderá ter de indicar o número de unidades de participação e não a quantia a resgatar. Outro aspecto a ter em conta é o denominado «pré-aviso de resgate». Entre o pedido e a data em que o dinheiro é efectivamente creditado na conta do investidor decorrem alguns dias. Por isso, convém fazer o pedido de resgate com alguma antecedência. O número máximo de dias úteis até ao crédito é indicado no Prospecto Simplificado do fundo ou na Nota Informativa Complementar, para os fundos não sedeados em Portugal (a maioria dos que constam do quadro). Tal como na subscrição, o resgate é feito, regra geral, sem o conhecimento do valor exacto da unidade de participação.
Rendimento. O investimento em fundos não garante nenhum rendimento, nem o reembolso do capital investido. O valor resgatado será, muito provavelmente, diferente do dinheiro que aplicou. O montante a receber depende do valor das unidades de participação do fundo no resgate, determinado pelo seu desempenho. Os ganhos e perdas gerados pelos fundos sectoriais dependem directamente da evolução da cotação das empresas que detém em carteira, tal como os restantes fundos de acções. Por norma, quando os mercados sobem, o valor dos fundos tende a acompanhar essa evolução. Quando as Bolsas recuam, os fundos vão atrás! Além disso, é preciso ter em conta a política de investimento da sociedade gestora. Se as decisões de gestão forem acertadas, o fundo tende a ter um melhor comportamento que a Bolsa. Ou seja, sobe mais do que esta, ou recua menos em momentos deprimidos do mercado. Para reduzir as hipóteses de perda, convém estar preparado para manter as unidades de participação durante, pelo menos, 5 anos, se necessário. Mas se, por exemplo, a Bolsa valorizar 15% num ano, poderá ser uma boa altura para resgatar.
Custos. Quem subscreve fundos de investimento paga indirectamente as comissões de gestão e depósito, retiradas ao valor do fundo. O valor da unidade de participação já vem descontado deste encargo. Dos fundos analisados, apenas o AF Euro-financeiras, do sector financeiro, cobra comissões de subscrição e resgate após 6 meses (0,5 e 1%, respectivamente).
Impostos. Os fundos sedeados em Portugal pagam os impostos directamente ao fisco (no nosso estudo, o AF Euro-financeiras e o BPI Financeiras). O valor da unidade de participação tem sempre em conta esse facto e é apresentada líquida depois de descontados os impostos. No resgate, o investidor já não terá nenhum encargo fiscal sobre os eventuais ganhos. Nem precisa de declará-los ao fisco. O mesmo é válido para os fundos sedeados no estrangeiro. Como a tributação só ocorre no resgate, nestes últimos, ajustamos as rentabilidades para terem em conta o efeito fiscal. Quando existem, os ganhos são tributados em 20% e o imposto é retido na fonte.