Arábia Saudita repara oleoduto e normaliza fornecimento de crude após ataques iranianos

Oleoduto é a principal rota de abastecimento de petróleo bruto aos mercados globais em caso de bloqueio do Estreito de Ormuz, transportando aproximadamente sete milhões de barris de crude por dia.
Christian Charisius
Lusa 10:46

A Arábia Saudita anunciou hoje o restabelecimento total da capacidade de funcionamento do oleoduto que atravessa o país de leste a oeste, rota de abastecimento de petróleo bruto aos mercados globais, após reparação dos danos causados por ataques iranianos.

"As infraestruturas energéticas e o oleoduto este-oeste danificados pelos ataques estão novamente em condições de funcionamento, melhorando a fiabilidade do abastecimento", afirmou o ministério da Energia saudita, citado pela agência oficial SPA.

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Este oleoduto é a principal rota de abastecimento de petróleo bruto aos mercados globais em caso de bloqueio do Estreito de Ormuz, transportando aproximadamente sete milhões de barris de crude por dia.

Os volumes perdidos no campo de Manifa, que ascendem a aproximadamente 300.000 barris por dia, foram recuperados, acrescentou o ministério.

Quanto ao campo de Khurais, os trabalhos para restabelecer a sua plena capacidade de produção continuam, e a sua conclusão será anunciada assim que estiverem concluídos.

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Os ataques, que afetaram instalações de produção, transporte, refinação e petroquímicas em várias regiões do país, ocorreram no contexto da escalada regional decorrente do conflito no Irão, iniciado pelos Estados Unidos e por Israel no final do mês de fevereiro passado.

Entre as consequências iniciais contaram-se interrupções em refinarias como a de Ras Tanura, a SATORP (em Jubail), a SAMREF (em Yanbu) e a de Riade, bem como impactos no processamento de gás.

A Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto, produz pouco mais de 10 milhões de barris por dia.

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O Financial Times tinha afirmado que um importante ataque com drones tinha visado na quarta-feira este equipamento, a Petroline saudita, apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão.

Na quinta-feira, Riade reconheceu que os ataques levados a cabo nas últimas semanas pelo Irão contra infraestruturas energéticas do reino causaram uma morte e reduziram a capacidade de produção petrolífera do país. Uma estação de bombagem do oleoduto tinha sido atingida.

A Petroline saudita revelou-se uma âncora de salvação económica crucial durante a guerra, sendo uma rede de 1.200 quilómetros que liga duas vias navegáveis essenciais para o comércio mundial: o Golfo, a leste, e o Mar Vermelho, a oeste.

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Desde o início da guerra, o Irão bloqueou de facto o estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto do consumo mundial de hidrocarbonetos, e a reabertura desta via marítima após o cessar-fogo permanece incerta.

Com esta restauração parcial, a Arábia Saudita procura mitigar os efeitos da volatilidade nos mercados energéticos e reforçar o seu papel como fornecedor fiável de petróleo num contexto de restrições nas principais rotas marítimas do Golfo.

Concluída na década de 1980, numa altura em que o Golfo era perturbado pela guerra Irão-Iraque, a Petroline foi construída como uma solução estratégica de contingência para contornar qualquer bloqueio do estreito.

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