Inflação e banca levam Wall Street ao vermelho. JPMorgan cai mais de 4% após contas
Os principais índices norte-americanos encerraram a segunda sessão da semana em território negativo, pressionados por uma nova leitura da inflação que falhou em "selar" um corte nas taxas de juro ainda na reunião da Reserva Federal (Fed) este mês e por um declínio nas ações da banca após o JPMorgan ter reportado uma queda nas comissões da banca de investimento - que acabaram por eclipsar o resultado líquido acima das previsões dos analistas.
Depois de terem fixado novos máximos históricos na segunda-feira, tanto o S&P 500 como o industrial Dow Jones terminaram a sessão com quedas de 0,19% para 6.963,74 pontos e 0,80% para 49.191,99 pontos, respetivamente. Por sua vez, o tecnológico Nasdaq Composite seguiu a mesma tendência, embora com desvalorizações de menor magnitude, caindo 0,10% para 23.709,87 pontos.
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Os sinais de que os preços na maior economia do mundo podem começar a desacelerar ainda deram algum conforto aos investidores no arranque da sessão, mas rapidamente o otimismo desvaneceu e as ações ficaram pintadas de vermelho. De acordo com a mais recente leitura, a inflação medida pelo índice de preços no consumidor manteve-se nos 2,7% em dezembro, mas a inflação subjacente desacelerou um décima percentual para 2,6% no mês passado - ficando abaixo das estimativas dos analistas.
"O entusiasmo inicial provocado por uma inflação mais baixa do que o previsto foi de curta duração", afirma Jose Torres, da Interactive Brokers, à Bloomberg. "A reviravolta foi influenciada, em parte, pelo facto de o relatório não ter antecipado a próxima redução dos juros, deixando o corte de dezembro de [Jerome] Powell como o último sob a sua liderança", afiança ainda.
Entre as principais movimentações de mercado, o JPMorgan encerrou a negociação com perdas de 4,18% para 310,90 dólares. O gigante da banca norte-americana foi ainda pressionado por declarações do seu CFO, Jeremy Barnum, que vê a introdução de um limite de 10% nos juros dos cartões de crédito, proposto por Donald Trump, a ter um grande impacto na economia norte-americana. As preocupações de Barnum alastraram-se pelos investidores, que acabaram por penalizar o setor bancário do S&P 500 - que terminou a sessão com uma desvalorização de 2,5%.
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O JPMorgan dá, assim, um pontapé de saída pessimista à primeira "earnings season" do ano, que, como é habitual, tem os gigantes da banca norte-americana à cabeça. Na quarta-feira, é a vez dos rivais Bank of America, Citi e Wells Fargo também apresentarem resultados ao mercado, enquanto o Morgan Stanley, o Goldman Sachs e a BlackRock revelam contas relativas ao último trimestre do ano passado na quinta-feira.
Também a Delta Air Lines esteve em foco nesta sessão. A companhia aérea caiu 2,38% para 69,33 dólares, depois de ter apresentado contas ao mercado e ter divulgado as suas previsões para 2026, que ficaram abaixo do consenso dos analistas. A empresa prevê lucros ajustados entre os 6,50 e os 7,50 dólares por ação este ano.
Já a Netflix avançou 1,01% para 90,32 dólares, após ter sido noticiado que a gigante do "streaming" está a trabalhar numa revisão dos termos da oferta pela Warner Bros., admitindo que a operação avaliada em 72 mil milhões de dólares seja concluída toda em dinheiro.
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