S&P 500 e Dow Jones batem novo recorde à boleia da IA e expectativa de corte de juros

Os três principais índices norte-americanos terminaram a sessão desta terça-feira com valorizações, afastando as preocupações em torno do conflito geopolítico com a Venezuela.
AP/Richard Drew
Bárbara Cardoso 06 de Janeiro de 2026 às 21:22

O apetite pelo risco continua a todo o vapor nos EUA. As bolsas norte-americanas terminaram a sessão desta terça-feira com ganhos e com recordes, no caso do S&P 500 e do índice industrial Dow Jones - já que as empresas de defesa e ligadas aos metais estão a beneficiar do conflito que opõe a Venezuela e os EUA. 

A atenção dos investidores continua, mesmo assim, nas ações ligadas à inteligência artificial e nas expectativas de um corte das taxas de juro na reunião deste mês da Reserva Federal. O mercado aguarda pelos dados económicos dos EUA divulgados ao longo desta semana: amanhã são divulgados os dados das novas ofertas de emprego e sexta-feira será publicado o relatório da criação de emprego, que ajudarão a moldar as expectativas em relação às taxas de juros em 2026. O mercado antecipa dois cortes, um deles já na próxima reunião.

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O S&P 500 saltou 0,62% para 6.944,81 pontos para um recorde de fecho, tendo tocado nos 6.948,41 pontos ao longo da sessão pela primeira vez. Já o industrial Dow Jones chegou aos 49.509,92 pontos, um novo máximo histórico, tendo terminado a sessão nos 49.462,08 pontos. O tecnológico Nasdaq Composite terminou a sessão com uma valorização de 0,65% para 23.547,17 pontos.

“Apesar do sólido desempenho dos últimos três anos, acreditamos que o mercado em alta ainda tem fôlego”, disse David Lefkowitz, do UBS Global Wealth Management, numa nota citada pela Bloomberg. O UBS acredita que o "benchmark" norte-americano suba 11% este ano para os 7.700 pontos.

As ações de empresas de tecnologia dispararam, já que algumas das "big tech" estão presentes na conferência Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas. Por exemplo, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, adiantou novos detalhes sobre as tecnologias de armazenamento da maior cotada do mundo. Além disso, a CFO da Nvidia, Colette Kress, afirmou que a previsão otimista de receitas que a fabricante de chips divulgou em outubro ficou "ainda melhor" devido à forte procura. Mesmo assim, as ações da fabricante de semicondutores desceram 0,45%. 

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Por outro lado, a Amazon saltou 3,3% e Micron Technology disparou 10%. Dentro do mesmo setor, a SanDisk pulou quase 28% e a Western Digital quase 17%. 

"Acredito que teremos uma época de resultados muito forte para as grandes empresas de tecnologia, e todas aquelas estimativas de despesas de capital que ouvimos serão revistas novamente em alta", disse Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital, à Reuters.

Os investidores parecem estar a ignorar os receios de consequências geopolíticas maiores, após as forças norte-americanas terem capturado o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no fim de semana. No entanto, as empresas norte-americanas de petróleo estão a beneficiar da invasão e  A Chevron e a Exxon Mobil terminaram a sessão desta terça-feira com perdas de 4% e 3%, respetivamente, numa altura em que os investidores fazem tomada de mais-valias, após a subida das empresas em bolsa na sessão anterior. 

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Noutros movimentos de mercado, as ações da Moderna escalaram 10,85% após o Bank of America ter elevado o preço-alvo da farmacêutica. 

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