Acções do BES e do ESFG com grande volatilidade
As acções do BES recuam mais de 1,5% depois de já terem caído mais de 13% esta terça-feira. Ontem, a CMVM emitiu um comunicado a proibir o "short selling" sobre acções do BES e do ESFG. Entretanto, esta segunda-feira, administradores do BES estiveram à conversa com analistas para tentar acalmar os investidores.
As acções do Banco Espírito Santo (BES) seguem a negociar em terreno negativo. Por esta altura, os títulos do banco ainda liderado por Ricardo Salgado seguem a cair 1,66% para 59,2 cêntimos, com um volume de acções na ordem dos 52 milhões, quando a média dos últimos seis meses é superior a 25 milhões.
No entanto, esta manhã, as acções estão a revelar uma forte volatilidade. Os títulos da instituição já estiveram a cair 13,62% para 52 cêntimos por acção, o valor mais baixo desde Julho do ano passado. Mas, antes, já tinham subido 8,64% para 65,4 cêntimos.
Já o Espírito Santo Financial Group (ESFG), a "holding" que detém 25% do BES, segue a somar 0,36% para 1,405 euros. Já trocaram de mãos mais de 89 mil títulos quando a média dos últimos seis meses é superior a 126 mil. As acções desta cotada estão igualmente a registar fortes oscilações. Esta manhã, as acções já registaram uma queda de 3,43% para 1,352 euros. E já dispararam 10,64% para 1,549 euros.
Ontem, 30 de Junho, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgou um comunicado a proibir a venda a descoberto de acções do BES e do ESFG, depois das fortes desvalorizações registadas nas duas últimas sessões. A interdição estará em vigor durante todo o dia de hoje, 1 de Julho.
A CMVM decidiu proibir quaisquer vendas a descoberto sobre as acções do BES e do ESFG. De acordo com o comunicado divulgado esta segunda-feira, a proibição tem efeito "a partir das 00h00 de 1 de Julho de 2014, até às 23h59 do mesmo dia".
As operações de "short-selling" permitem aos investidores apostar na queda das cotações. A venda de acções dos bancos a descoberto, sem garantia da posse dos títulos junto do intermediário financeiro no momento da ordem (o chamado "naked short selling"), é proibido desde 2008. Com a decisão tomada esta segunda-feira, são interditas não só estas, mas quaisquer operações de venda a descoberto sobre os títulos em causa.
Por outro lado, ontem, 30 de Junho, elementos do BES estiveram numa "conference call" com analistas para tentar acalmar os receios dos investidores e com a intenção de clarificar o conjunto de questões que têm sido levantadas nos últimos dias tanto pelos investidores como pelos analistas que cobrem o banco, segundo contou um analista, que pediu para não ser identificado, ao Negócios.
O telefonema ocorreu ao início da tarde de segunda-feira. Os analistas tinham um número para o qual ligar. Mas, normalmente, há oportunidade para serem feitas perguntas. Desta vez, não aconteceu. Sem perguntas. Os administradores Joaquim Goes e Amílcar Morais Pires fizeram a sua declaração.
"Não há nada que seja irrelevante, só não é nada novo", comentou o referido analista ao Negócios no final da "conference call". Foram cinco os temas da conferência telefónica. O esqueleto do banco foi um deles: várias têm sido as referências à cascata de participações da família Espírito Santo que desagua na posição de 25,1% no Banco Espírito Santo. Essa participação é detida directamente pela Espírito Santo Financial Group. Uma empresa que também tem estado fortemente pressionada em bolsa.
Esta terça-feira, o Negócios escreve que o BES dispõe de bóias de salvação que, caso a crise se acentue, lhe permitirão garantir que as poupanças dos seus clientes estão a salvo. Uma dessas "bóias" pode ser o Banco Central Europeu.