Conflito no Irão atira S&P 500 para mínimos de sete meses. Dow Jones entra em correção
Uma nova escalada no Médio Oriente, com os EUA e Israel a atingirem a infraestrutura energética do Irão, deixou os investidores em sobressalto. Wall Street fechou com perdas superiores a 1,5% e o "benchmark" norte-americano já cai há cinco semanas consecutivas.
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O conflito no Médio Oriente voltou a escalar e Wall Street respondeu com grandes perdas. Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta sexta-feira pintados de vermelho, com perdas superiores a 1,5%, numa altura em que os preços do petróleo não dão tréguas e os investidores continuam a tentar avaliar o impacto desta escalada na economia mundial.
O S&P 500 encerrou a sessão a ceder 1,67% para 6.368,85 pontos, atingindo mínimos de sete meses e fechando a quinta semana consecutiva de perdas - algo que já não acontecia desde 2022, quando o "benchmark" norte-americano terminou o ano com uma queda de quase 20%. Por sua vez, o tecnológico Nasdaq Composite caiu 2,15% para 20.948,36 pontos - depois de na sessão anterior ter entrado em território de correção - e o industrial Dow Jones deslizou 1,73% para 45.166,64 pontos, entrando também em correção - ou seja, desvalorizando mais de 10% desde os máximos mais recentes.
O preço do barril de Brent ultrapassaram os 112 dólares, após os EUA e Israel terem bombardeado uma infraestrutura nuclear e várias fábricas de aço iranianas, em resposta aos ataques de Teerão a países do Golfo Pérsico. A ofensiva voltou a escalar horas depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter decidido adiar - mais uma vez - o prazo dado ao Irão para concordar em reabrir o estreito de Ormuz ou enfrentar novos ataques a toda a sua infraestrutura energética.
"O aumento da incerteza e as oscilações provocadas pelas notícias estão a levar os investidores a reduzir o risco, a recorrer mais a operações de cobertura e a restringir a liquidez", explica Mark Hackett, estratega-chefe de mercados da Nationwide, à Bloomberg. "Os mercados estão a reagir mais ao posicionamento e à volatilidade do que aos fundamentos do mercado", acrescenta ainda.
As promessas de um conflito com fim a curto prazo também já não parecem dar alento aos investidores. Esta sexta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após uma reunião com os homólogos do G-7, afirmou que a maioria dos objetivos da ofensiva no Irão “estão adiantados” em relação ao previsto e que o conflito poderá terminar numa questão de “semanas, não meses”. Rubio terá falado na reunião num prazo de “duas a quatro semanas”, de acordo com o site Axios e o Channel 12 israelita.
Quanto mais prolongado for o conflito, mais sustentada será a subida dos preços do petróleo e maior será o impacto sentido na inflação. Neste novo paradigma, a Reserva Federal (Fed) norte-americana fica sem argumentos para continuar o ciclo de alívio das taxas de juro - e os seus membros já dão conta disso. Na quinta-feira, a governadora Lisa Cook afirmou que o aumento dos preços do petróleo alterou o equilíbrio dos riscos, tornando a inflação uma preocupação maior do que o emprego.
Entre as principais movimentações do mercado, as ações da AstraZeneca cotadas nos EUA saltaram 2,74% para 188,42 dólares, após o seu medicamento experimental ter conseguido, num estudo, reduzir significativamente os impactos da doença pulmonar obstrutiva crónica. Já a Tripadvisor acelerou 1,61% para 10,11 dólares, depois de o Bank of America ter subido a recomendação de "manter" para "comprar", citando um aumento das opções estratégicas em todo o portefólio e maior envolvimento dos investidores ativistas.
(Notícia atualizada às 20:27)