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Dívida da brasileira Raízen preocupa. Fitch e S&P cortam notação para “lixo”

As agências de “rating” baixaram a classificação da dívida da Raízen devido ao desempenho operacional mais fraco do que o esperado e à incapacidade dos acionistas de capitalizarem a empresa.

Raízen tem 'rating' de dívida reduzido para 'lixo' por agências de avaliação.
Raízen tem 'rating' de dívida reduzido para "lixo" por agências de avaliação. DR
17:46

A dívida da Raízen, gigante brasileira de açúcar e etanol que é uma “joint-venture” da Cosan e da Shell, já ascende a 70 mil milhões de reais (11,34 mil milhões de euros ao câmbio atual). Só de juros da dívida, a empresa paga 7,5 mil milhões de reais (1,21 mil milhões de euros).  E este elevado endividamento já está a fazer mossa, com duas agências de notação financeira a colocarem a classificação das suas obrigações na categoria de investimento especulativo (o chamado “lixo”).

As obrigações em dólares da Raízen com maturidade em 2037 seguem a cair mais de 9 cêntimos para 43 cêntimos por dólar, depois de a empresa ter anunciado a contratação de consultores financeiros e jurídicos para lidar com os crescentes desafios da dívida. A medida surge num momento em que a Raízen enfrenta pressões financeiras crescentes, suscitando preocupações entre os investidores sobre a sua capacidade de gerir eficazmente as suas obrigações, aponta a Bloomberg.

O entendimento geral é de que a decisão da empresa de procurar aconselhamento externo destaca a gravidade da sua situação financeira atual, num momento em que vive um cenário económico desafiador.

A Cosan e a Shell não conseguiram chegar a acordo sobre a forma de resgatar a “joint-venture”, o que intensificou os seus problemas financeiros. Neste contexto, tanto a Fitch como a Standard & Poor’s anunciaram nesta segunda-feira cortes de “rating” da Raízen para o patamar de lixo.

No relatório que divulgou, a Fitch justifica a decisão com a incapacidade de os acionistas capitalizarem a empresa, o desempenho operacional mais fraco do que o esperado e a posição líquida “mais desafiadora”. Além do corte da notação em cinco graus, de BBB- (estava na categoria de investimento de qualidade) para B, a agência manteve o “rating watch” negativo, sinalizando assim o potencial de haver mais “downgrades”.

A Fitch projeta a alavancagem bruta e líquida da Raízen em cerca de 5,4x e 5,0x nos próximos dois anos, o que está alinhado com a categoria de classificação ‘B’ e é elevado para o setor. A agência estima ainda que a empresa tenha 10,5 mil milhões de reais em dívida com vencimento nos próximos 18 meses. Se a empresa refinanciar essa dívida às taxas atuais de mercado, a sua flexibilidade financeira enfraquecerá ainda mais.

Já a S&P procedeu a um corte de sete níveis, ao passar de BBB- (altamente especulativo) para CCC+ (encaixando já na categoria de risco substancial).  “Os sinais enfraquecidos dos acionistas e da administração em relação aos planos anunciados de capitalização e venda de ativos para lidar com a estrutura de capital da Raízen aumentam a probabilidade de reestruturação da dívida”, considera a Standard & Poor’s.

As obrigações da Raízen estão agora com juros de 19%, segundo os dados compilados pela Bloomberg. Essa rendibilidade compara com os menos de 10% de inícios deste mês.

De acordo com cálculos do UBS, a Raízen precisa de uma injeção de capital compreendida entre 20 a 25 mil milhões de reais.

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