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Dívida da brasileira Raízen preocupa. Fitch e S&P cortam notação para “lixo”

As agências de “rating” baixaram a classificação da dívida da Raízen devido ao desempenho operacional mais fraco do que o esperado e à incapacidade dos acionistas de capitalizarem a empresa.

Raízen tem 'rating' de dívida reduzido para 'lixo' por agências de avaliação.
Raízen tem 'rating' de dívida reduzido para "lixo" por agências de avaliação. DR
09 de Fevereiro de 2026 às 17:46

A dívida da Raízen, gigante brasileira de açúcar e etanol que é uma “joint-venture” da Cosan e da Shell, já ascende a 70 mil milhões de reais (11,34 mil milhões de euros ao câmbio atual). Só de juros da dívida, a empresa paga 7,5 mil milhões de reais (1,21 mil milhões de euros).  E este elevado endividamento já está a fazer mossa, com duas agências de notação financeira a colocarem a classificação das suas obrigações na categoria de investimento especulativo (o chamado “lixo”).

As obrigações em dólares da Raízen com maturidade em 2037 seguem a cair mais de 9 cêntimos para 43 cêntimos por dólar, depois de a empresa ter anunciado a contratação de consultores financeiros e jurídicos para lidar com os crescentes desafios da dívida. A medida surge num momento em que a Raízen enfrenta pressões financeiras crescentes, suscitando preocupações entre os investidores sobre a sua capacidade de gerir eficazmente as suas obrigações, aponta a Bloomberg.

O entendimento geral é de que a decisão da empresa de procurar aconselhamento externo destaca a gravidade da sua situação financeira atual, num momento em que vive um cenário económico desafiador.

A Cosan e a Shell não conseguiram chegar a acordo sobre a forma de resgatar a “joint-venture”, o que intensificou os seus problemas financeiros. Neste contexto, tanto a Fitch como a Standard & Poor’s anunciaram nesta segunda-feira cortes de “rating” da Raízen para o patamar de lixo.

No relatório que divulgou, a Fitch justifica a decisão com a incapacidade de os acionistas capitalizarem a empresa, o desempenho operacional mais fraco do que o esperado e a posição líquida “mais desafiadora”. Além do corte da notação em cinco graus, de BBB- (estava na categoria de investimento de qualidade) para B, a agência manteve o “rating watch” negativo, sinalizando assim o potencial de haver mais “downgrades”.

A Fitch projeta a alavancagem bruta e líquida da Raízen em cerca de 5,4x e 5,0x nos próximos dois anos, o que está alinhado com a categoria de classificação ‘B’ e é elevado para o setor. A agência estima ainda que a empresa tenha 10,5 mil milhões de reais em dívida com vencimento nos próximos 18 meses. Se a empresa refinanciar essa dívida às taxas atuais de mercado, a sua flexibilidade financeira enfraquecerá ainda mais.

Já a S&P procedeu a um corte de sete níveis, ao passar de BBB- (altamente especulativo) para CCC+ (encaixando já na categoria de risco substancial).  “Os sinais enfraquecidos dos acionistas e da administração em relação aos planos anunciados de capitalização e venda de ativos para lidar com a estrutura de capital da Raízen aumentam a probabilidade de reestruturação da dívida”, considera a Standard & Poor’s.

As obrigações da Raízen estão agora com juros de 19%, segundo os dados compilados pela Bloomberg. Essa rendibilidade compara com os menos de 10% de inícios deste mês.

De acordo com cálculos do UBS, a Raízen precisa de uma injeção de capital compreendida entre 20 a 25 mil milhões de reais.

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