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Receios de um conflito prolongado no Irão atiram Wall Street para o vermelho

Um conflito prolongado terá um impacto sustentado nos preços da energia e poderá levar a uma escalada na inflação. Neste cenário, que os investidores já estão a incorporar, a Fed pode ser obrigada a atrasar um novo corte nos juros. O Dow Jones perdeu quase 800 pontos.

Wall Street.
Wall Street. AP / Richard Drew
21:19

Os principais índices norte-americanos terminaram mais uma sessão no vermelho, apesar de até terem conseguido recuperar algum fôlego na quarta-feira, com os investidores convencidos que a guerra no Irão não terá uma resolução no curto prazo. O impacto sustentando do conflito nos preços da energia, nomeadamente no petróleo e no gás natural liquefeito (GNL), está a aumentar os receios em torno de uma escalada da inflação, numa altura em que o mercado laboral dos EUA dá sinais de resiliência, complicando o caminho que a Reserva Federal (Fed) tem pela frente em termos de política monetária. 

O S&P 500 encerrou a sessão a perder 0,56% para 6.830,71 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite caiu 0,26% para 22.748,99 pontos. No entanto, o mais penalizado acabou por ser o industrial Dow Jones, que deslizou 1,61% para 47.954,74 pontos, com os setores mais afetados pela escalada dos preços da energia a encontrarem-se representados neste índice. O West Texas Intermediate - barril de crude de referência para os EUA - ultrapassou os 80 dólares por barril pela primeira vez desde julho de 2024.

"Os investidores estão nervosos, dado que a situação parece estar a agravar-se em vez de acalmar", explica Adam Crisafulli, fundador da Vital Knowledge, à Bloomberg. Já Steve Sosnick, estratega da Interactive Brokers, avisa os investidores que é necessário "maior cautela" na negociação, admitindo-se surpreendido pelo impacto "mínimo" que a situação no Estreito de Ormuz teve nos mercados - apesar de os preços do petróleo terem voltado a disparar esta quinta-feira. 

Com todos estes avanços e recuos, o S&P 500 está basicamente inalterado face à cotação de fecho de sexta-feira, antes do estalar da guerra. "Tudo isto sugere que as ações podem permanecer voláteis e sensíveis ao fluxo de notícias até que uma resolução plausível ou concreta do conflito esteja em vigor", explica Beata Manthey, analista do Citigroup Global Markets, à Bloomberg. Mesmo assim, Manthey nota que o principal impacto está a ser sentido nos mercados que estavam a registar grandes valorizações desde o início de 2026, nomeadamente os asiáticos. 

Quanto mais tempo esta guerra durar, mais sustentada será a subida dos preços do petróleo e gás natural liquefeito. Com a energia mais cara, os investidores estão a antecipar um impacto suficiente na inflação que leve a Fed a diminuir o número de cortes nas taxas de juro este ano. O mercado de "swaps" só vê o banco central norte-americano a cortar nas taxas de juro em setembro ou outubro, quando, antes do conflito estalar, apontava para junho. Por agora, os investidores estão a trabalhar com apenas um corte de 25 pontos base nas taxas diretoras este ano.

Entre as principais movimentações de mercado, a Broadcom saltou 4,79% para 332,74 dólares, depois de o CEO da empresa, Hock Tan, ter indicado que espera que as vendas de chips alcance os 100 mil milhões de dólares no próximo ano. No seu primeiro trimestre fiscal de 2026, a tecnológica viu as receitas dispararem 29% para 19,31 mil milhões, um valor que ficou ligeiramente acima dos 19,18 mil milhões esperados pelos analistas. 

Por sua vez, a Oracle acelerou 1,59% para 154,79 dólares, depois de a Bloomberg ter noticiado que a  para fazer face aos custos crescentes, numa altura em que a empresa continua empenhada investir na inteligência artificial (IA). 

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