S&P 500 e Nasdaq apagam ganhos de 2026. Bitcoin, "tech" e emprego afundam Wall Street
Os três índices norte-americanos estão presos numa onda de quedas, empurrados pelas ações de tecnologia e pelos dados do emprego de janeiro, que levantam receios sobre uma desaceleração da economia.
As bolsas norte-americanas mergulharam em quedas esta quinta-feira, num dia marcado pela aversão dos investidores ao risco, com o "sell-off" das tecnológicas e a queda abrupta da bitcoin, que chegou a negociar abaixo dos 64 mil dólares.
Além disso, os dados do emprego publicados por uma empresa privada vieram adensar a "nuvem negra" das preocupações com uma desaceleração da maior economia do mundo. Um relatório da Challenger, Gray & Christmas mostrou que as empresas norte-americanas anunciaram, em janeiro, o maior número mensal de cortes de postos de trabalho (108.435) desde 2009, a crise financeira global. Outros dados revelam que os novos pedidos de subsídios de desemprego subiram mais do que o esperado na última semana de janeiro.
Neste contexto, o S&P 500 perdeu 1,23% para 6.798,40 pontos, enquanto o Nasdaq Composite cedeu 1,59% para 22.540,59 pontos. Os dois índices apagaram os ganhos conquistados até agora no ano: o "benchmark" perde agora 0,68% desde o arranque de janeiro e o índice tecnológico recua 3,02%. Já o industrial Dow Jones recuou 1,2% para 48.908,72 pontos, mantendo-se ainda com um saldo positivo de 1,76% em 2026.
A queda das ações de tecnologia continuou, com a Alphabet a ceder 0,6%, já que os investidores reagiram de forma negativa aos planos de investimento da dona da Google para este ano. A empresa justificou que os avultados investimentos em inteligência artificial são essenciais para competir com as rivais Amazon (que apresenta resultados trimestrais após o fecho do mercado), Microsoft e OpenAI. As duas primeiras caíram 4,42% e 4,95%, respetivamente.
Os gastos de capital em IA, considerados por alguns analistas como "astronómicos", tem levado a que os investidores sejam mais "criteriosos" na suas escolhas de investimentos, ao invés de um "entusiasmo irracional".
Ao mesmo tempo, os resultados da dona da Google contribuíram para o "mal-estar" no setor das "big tech", com os investidores a continuarem a vender as suas posições, sobretudo nas empresas de software, cuja queda se estendeu pela terceira sessão consecutiva.
"Esta liquidação é muito parecida com a queda da DeepSeek até ao Dia da Libertação no setor de tecnologia", disse à Bloomberg Nancy Tengler, CEO e diretora de investimentos da Laffer Tengler Investments, que alude à queda nos mercados nos primeiros meses de 2025.
Já Michael Kantrowitz, da Piper Sandler, considera que “todos foram levados a investir nas mesmas ações, mas agora estamos a assistir a dados macroeconómicos e de lucros mais alargados. Assim, os investidores têm mais alternativas de onde aplicar o seu dinheiro. Há mais dúvidas sobre os lucros e as avaliações do setor de tecnologia e IA, enquanto partes da economia e do mercado que estavam fracas há três anos estão a voltar à vida”.
Entre outros movimentos de mercado, a Qualcomm tomba 8,46% após ter divulgado uma previsão mais fraca do que o esperado, devido à escassez de memória, que afetou negativamente as previsões feitas.
A Estée Lauder mergulhou 19,19% depois do reporte dos resultados financeiros do segundo trimestre. As receitas, de 4,23 mil milhões de dólares, ficaram em linha com as expectativas.
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