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S&P 500 toca nos ursos e Dow tem pior ciclo semanal de perdas em 100 anos

As bolsas do outro lado do Atlântico negociaram uma vez mais em baixa, mas nos últimos minutos o Dow e o S&P 500 deram a volta. Ainda assim, acumularam novamente um saldo negativo na semana. A volatilidade continua a reinar.

A normalização das taxas de juro a nível global, para conter a inflação, vai continuar a penalizar os ativos de risco.
Brendan McDermid/Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 20 de Maio de 2022 às 21:12
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Numa altura em que dominam os receios de endurecimento adicional por parte dos bancos centrais – para combater a inflação –, de desaceleração do crescimento económico e potencial recessão, o apetite pelo risco foi pouco em Wall Street.

 

A volatilidade voltou a estar em forte alta, o que levou os investidores norte-americanos a optarem por ativos mais seguros, como as obrigações, em detrimento das ações. Ainda assim, nos minutos finais de negociação, o Dow e o S&P 500 deram a volta por cima.

 

O índice industrial Dow Jones fechou com um ganho muito marginal, a somar 0,03% para 31.261,90 pontos, depois de ter negociado no vermelho durante quase toda a sessão. Apesar deste fôlego, estabeleceu a sua oitava semana consecutiva em queda – naquele que é o mais longo ciclo de perdas semanais desde 1923, ou seja, em 99 anos.

 

Já o Standard & Poor’s 500, que chegou a estar a cair mais de 2%, terminou praticamente na linha de água, a subir 0,01% para 3.901,36 pontos. No nível mais baixo da sessão, o índice chegou a estar em "mercado urso", ao perder mais de 20% desde o seu último recorde de fecho, atingido em inícios de janeiro passado nos 4.796,45 pontos. O seu máximo histórico está nos 4.818,62 pontos e foi fixado na sessão de 4 de janeiro.

 

No entanto, o S&P 500 acabou por conseguir recuperar algum fôlego na reta final da sessão, pelo que o "bear market" foi de pouca dura. Ainda assim, o índice fixou a sexta semana seguida no vermelho (a mais acentuada série semanal de descidas desde 2001 – ano dos atentados terroristas nos EUA).

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite perdeu 0,30% para se estabelecer nos 11.354,62 pontos. O Nasdaq, recorde-se, já está a negociar há algum tempo em território de ursos.

 

Os receios de um aumento substancial dos juros diretores por parte da Fed (que já subiu as taxas duas vezes desde que iniciou o ciclo de subidas em março) têm pressionado as ações de grande crescimento (como é o caso das tecnológicas) e intensificado os receios de penalização dos lucros destas empresas.

 

É cada vez maior a preocupação de que a Reserva Federal dos EUA não seja capaz de travar a subida da inflação – que está em máximos de quatro décadas – sem mergulhar a economia norte-americana numa recessão.

 

Nos últimos 50 anos, só um "bear market" nas bolsas dos EUA não se fez acompanhar por uma recessão – e foi o do crash de 1987.

 

O Morgan Stanley prevê uma probabilidade de 27% de haver recessão nos Estados Unidos nos próximos 12 meses – quando em março essa possibilidade era de apenas 5%.

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