Subida da inflação não assusta Wall Street focada em resultados trimestrais. Quantum Computing dispara 15%
Os três principais índices norte-americanos não apresentaram alterações significativas, enquanto os investidores avaliam os dados da inflação e os riscos da guerra no Irão.
As bolsas norte-americanas terminaram sem rumo definido uma sessão marcada por uma onda de vendas de ações ligadas à tecnologia, ao mesmo tempo que os investidores reagiram aos mais recentes desenvolvimentos relativamente à guerra no Médio Oriente e aos dados da inflação na maior economia do mundo.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, lançou dúvidas sobre a resiliência do atual cessar-fogo com o Irão, após ter rejeitado o último projeto de paz proposto por Teerão, chamando-lhe de "pedaço de lixo". O adiamento de um acordo entre as duas partes significa que o estreito de Ormuz vai continuar bloqueado à passagem de embarcações.
Trump anunciou, na Casa Branca, que as tréguas estavam por um fio, enquanto ridicularizou a resposta do Irão à sua proposta para colocar um ponto final à guerra que dura há dez semanas. Teerão exigiu que os norte-americanos levantassem o bloqueio naval a Ormuz e aliviassem as sanções, ao mesmo tempo que manteriam um certo controlo sobre o estreito.
O bloqueio do estreito de Ormuz está a fazer disparar os preços da energia (uma subida de quase 18%) e, por consequência, da inflação, que acelerou para 3,8% em abril - o ritmo mais rápido desde 2023. É um cenário que coloca em causa a (até agora) resiliência da economia norte-americana face ao conflito no Médio Oriente, e que leva a uma subida das apostas dos investidores numa retirada de cima da mesa de um corte nas taxas de juro pela Reserva Federal (Fed) este ano, podendo a Fed até mesmo ser forçada a uma subida dos juros.
Neste contexto, o índice de referência para os EUA, o S&P 500 caiu 0,16% para 7.400,96 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cedeu 0,71% para 26.088,20 pontos e o industrial Dow Jones subiu 0,11% para 49.760,56 pontos.
As ações do setor tecnológico foram as que mais desceram, após semanas de ganhos exorbitantes, com os riscos acrescidos em torno da geopolítica e da inflação a acrescentarem mais um nível de incerteza aos mercados que já enfrentam um cenário de sobreavaliação.
"Apesar de [a inflação] ter sido mais acentuada do que o esperado, o aumento dos preços no consumidor poderia ter sido muito pior do que isto, tendo em conta as tensões no Médio Oriente", afirmou Jeff Buchbinder, estratega-chefe de ações da LPL Financial, à Bloomberg.
"É provável que a inflação passe para segundo plano nos próximos meses, uma vez que os investidores continuam focados nos lucros, no crescimento económico e no ciclo de investimento impulsionado pela inteligência artificial", afirmou Tim Urbanowicz, estratega-chefe de investimentos da Innovator ETFs da Goldman Sachs Asset Management, num e-mail citado pela agência financeira. "A Reserva Federal deixou claro que está disposta a ignorar qualquer pico temporário de inflação ligado ao conflito com o Irão, e isso continua a ser a principal consideração para os investidores no curto prazo", acrescentou.
Assim, os lucros das grandes empresas americanas continuam a ofuscar as preocupações com a inflação. De acordo com dados da Bloomberg Intelligence, as empresas americanas superaram as expectativas pela maior margem (fora a era da pandemia) desde, pelo menos, 2013.
Entre os principais resultados trimestrais, a Quantum Computing disparou mais de 15% depois de a criadora de software ter reportado receitas no primeiro trimestre que superaram a estimativa média dos analistas.
Já a Hims & Hers Health tombou 14%, com um primeiro trimestre marcado por prejuízos e vendas que ficaram aquém das estimativas de Wall Street. A empresa enfrenta custos mais elevados associados à sua reorientação estratégica para medicamentos de marca para a perda de peso.
O eBay subiu mais de 2% após ter rejeitado uma oferta de aquisição de 56 mil milhões de dólares da GameStop, tendo o diretor executivo Ryan Cohen classificado a oferta não solicitada como “nem credível nem atrativa”.