Tecnológicas voltam a tremer e deixam Wall Street sem rumo. Apple afunda 6%
Os dados animadores da economia e os resultados surpreendentes da Micron não foram suficientes para "estancar" as perdas no setor tecnológico e devolver o otimismo a Wall Street.
Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta quinta-feira sem rumo, divididos entre ganhos e perdas, com um "sell-off" nas "Sete Magníficas" a eclipsar os sinais de que a maior economia do mundo continua em boa forma. No arranque do dia ainda parecia que os bons resultados da Micron Technology teriam conseguido "estancar" as perdas no setor tecnológico, mas rapidamente o pessimismo voltou a dominar - principalmente depois de a Apple ter anunciado que iria aumentar os preços dos seus produtos.
O S&P 500 terminou a negociação praticamente inalterado, ao desvalorizar 0,01% para 7.357,49 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite encabeçou as perdas, ao ceder 0,46% para 25.358,60 pontos. Por outro lado, o industrial Dow Jones conseguiu escapar ao pessimismo e encerrou a acelerar 0,14% para 51,920,62 pontos.
Todas as "Sete Magníficas" - Google, Alphabet, Nvidia, Meta, Tesla, Amazon e Apple - pintaram-se de vermelho e atiraram o "benchmark" norte-americano para território negativo. Isto apesar de a fabricante de "chips" de memória Micron ter disparado 15,81%, impulsionada por projeções bastante sólidas de receitas para o seu atual trimestre fiscal, terminado em agosto, que acabaram por "esmagar" as estimativas dos analistas.
"Recentemente, surgiram algumas fissuras no setor tecnológico", explica Matt Maley, analista da Miller Tabak, à Bloomberg. "Por isso, acreditamos que será extremamente importante acompanhar a evolução das cotações destas grandes empresas tecnológicas daqui para a frente, porque, se continuarem a cair, vai ser muito difícil para o resto do mercado avançar", acrescenta, referindo-se a "perigos de concentração" dos investidores neste setor.
Na segunda-feira, a SpaceX voltou a reanimar os receios dos investidores com os grandes investimentos necessários para desenvolver infraestrutura dedicada à inteligência artificial (IA). A empresa liderada por Elon Musk avançou com uma emissão de dívida de 25 mil milhões de dólares para pagar empréstimos anteriores e financiar a sua aposta na tecnologia e, apesar da grande procura, desencadeou um "sell-off" no setor que não conheceu descanso até agora.
Esta quinta-feira, foi ainda revelado que o índice de preços das despesas pessoais de consumo (PCE) dos Estados Unidos — conhecido como o indicador de inflação preferido da Reserva Federal norte-americana (Fed) — acelerou em maio para 4,1%, o valor mais elevado desde abril de 2023, reforçando a expectativa de uma subida de juros. Já o produto interno bruto (PIB) da maior economia mundial foi revisto em alta face à segunda leitura, passando de 1,6% para 2,1%.
Entre as principais movimentações de mercado, a Apple afundou 6,15%, depois de ter anunciado que vai aumentar os preços dos computadores Mac e dos iPads. A tecnológica ainda liderada por Tim Cook, que vai abandonar o cargo em setembro deste ano, cita a escassez de "chips" de memória para justificar a decisão.