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Tensões na Gronelândia levam Wall Street à pior sessão desde abril

O nervosismo em Wall Street já não era tão elevado desde novembro do ano passado. A crise em torno da Gronelândia está a deixar os investidores à espera do pior e a procurar refúgio no ouro. O S&P 500 terminou a sessão com perdas superiores a 2%.

AP/Richard Drew
20 de Janeiro de 2026 às 21:16

Desde abril do ano passado, quando o Presidente norte-americano apresentou a nova política comercial dos EUA ao mundo, que Wall Street não vivia uma sessão tão negativa. Os principias índices do país seguiram o "sell-off" que se registou no resto do mundo, mas a queda fez um estrondo ainda maior, com o S&P 500 a perder mais de 2%. Nervosos com o escalar das tensões geopolíticas, os investidores fugiram dos ativos de risco e procuraram refúgio nos metais preciosos, com o ouro a atingir novos máximos históricos. 

O S&P 500, "benchmark" norte-americano, encerrou a sessão a desvalorizar 2,06% para 6.796,86 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cedeu 2,39% para 22.954,32 pontos e o industrial Dow Jones deslizou 1,76% para 48.488,59 pontos. Com estes movimentos, o principal índice norte-americano apagou os ganhos anuais que até aqui registava, num dia em que também o dólar registou a pior sessão em nove meses. 

"Trata-se novamente de um movimento 'Sell America' [com os investidores a desfazerem-se de posições que têm nos EUA], num contexto de risco global muito mais amplo", explica Krishna Guha, da Evercore, à Bloomberg. "Os investidores globais estão a procurar reduzir ou proteger a sua exposição a um mercado norte-americano volátil e pouco fiável. O que resta determinar é a magnitude e a duração destas dinâmicas", acrescenta.

Neste contexto, e pela primeira vez desde novembro do ano passado, o índice do "medo" de Wall Street - o VIX - ultrapassou os 20 pontos. Em causa estão as mais  que se opõem ao plano de anexar a Gronelândia - a ilha, localizada entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, pertencente à Dinamarca. Além de uma guerra comercial, os investidores receiam que a disputa pelo território leva a uma implosão da NATO, numa altura em que o primeiro-ministro da Gronelândia já apela à população que se prepara para uma eventual invasão dos EUA. 

Questionado esta terça-feira até onde estaria disposto a ir para controlar a Gronelândia, . A caminho de Davos, onde se realiza o Fórum Económico Mundial, o Presidente dos EUA revela que tem "muitas reuniões agendadas" para discutir a anexação do território e acredita "que as coisas vão correr muito bem". A visão, no entanto, não é partilhada pelos líderes europeus, que insistem que os EUA não têm qualquer direito sobre o território. 

Do outro lado do mundo, também o Japão está a alimentar o clima de instabilidade que se sente nos mercados. Os  pela primeira vez em mais de três décadas - um sinal negativo dos investidores à possibilidade de que a atual primeira-ministra, Sanae Takaichi, possa ter maioria no Parlamento para a implementação de estímulos orçamentais no país. Os movimentos contagiaram tanto a Europa como os EUA, com a "yield" das "Tresuries" norte-americanas a dez anos - a maturidade de referência - a saltar mais de 6,8 pontos base para 4,291%

As ações globais, nomeadamente as norte-americanas, têm-se mostrado bastante resilientes aos acontecimentos geopolíticos deste arranque de ano, mas parecem ter atingido o seu limite de resistência. Esta semana pode ser decisiva para o mercado dos EUA, com os investidores à espera de uma decisão do Supremo sobre a legalidade das tarifas de Trump, bem como com a Netflix que já deu o pontapé de saída para as contas das "big tech" norte-americanas.

Entre as principais movimentações de mercado, a gigante do "streaming" perdeu 1,08%. No "after hours", cai quase 5%, depois de ter deixado alertas sobre o aumento da despesa e os custos com o negócio de compra da Warner Bros., embora tenha superado as previsões dos analistas nos resultados do quarto trimestre do ano passado. 

Por sua vez, a 3M - um peso pesado do setor industrial - cai 6,96%, depois de ter projetado lucros ajustados para 2026 que ficaram bastante abaixo das expectativas dos analistas.

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